Quando o Talibã retomou o controle do Afeganistão, em 2021, meninas acima de 12 anos foram proibidas de frequentar escolas e universidades. Entre as afetadas está Khawar, jovem de 22 anos que sonhava cursar medicina e se tornar cardiologista. À época, já havia comprado livros e se preparado para ingressar na universidade. Hoje, sua rotina começa antes do amanhecer, dedicada a orações e tarefas domésticas. As inforamações são da CNN Brasil.
Educação em segredo
Apesar das restrições, Khawar continua estudando escondida. Em seu intervalo de almoço, ela acessa aulas online de um curso de Ciências da Saúde oferecido gratuitamente pela Universidade do Povo, instituição norte-americana que apoia refugiados e mulheres impedidas de estudar no próprio país.
Iniciativas como essa têm crescido com o objetivo de alcançar meninas confinadas em casa. Aulas são ministradas clandestinamente em locais secretos, pela internet, via rádio e até televisão. Todas buscam oferecer conhecimento e fortalecer uma rede de resistência feminina diante do regime extremista.
Aulas secretas como símbolo de esperança
Erfanullah Abidi, ex-consultor da Otan, refugiado na Austrália, decidiu criar classes presenciais discretas em fevereiro de 2023. Atualmente, 15 turmas funcionam em diferentes regiões do país.
Para garantir segurança, cada estudante representa outras quatro ou cinco meninas que não podem comparecer. Caso algum risco seja identificado, as aulas são canceladas imediatamente.
Milhões fora da sala de aula
A UNESCO estima que 1,4 milhão de meninas afegãs estão impedidas de acessar o ensino médio. A falta de professores e a pobreza crescente também afastam crianças da escola.
Para atingir quem está isolado em casa, a Begum Organization for Women transmite aulas e conteúdos de saúde e apoio psicológico pela rádio e televisão. Sua fundadora, Hamida Aman, relata que muitas ouvintes ligam em busca de ajuda emocional, relatando depressão e desânimo entre jovens.
Estudo online como alternativa global
Outra iniciativa, a SOLAx, versão digital da Escola de Liderança do Afeganistão, atende cerca de 8 mil alunas em 41 países, a maioria ainda vivendo sob o regime. As aulas de 30 minutos são enviadas via WhatsApp, em dari, pashto e inglês, com apoio tecnológico da Meta.
Enquanto isso, Khawar segue em silêncio, estudando escondida, mesmo sabendo que não poderá trabalhar na área se permanecer em Cabul.






