Os encontros mediados por tecnologia aumentaram com a popularização das redes sociais. No entanto, a facilidade de encontrar companhia online muitas vezes oculta riscos inesperados. Esse foi o caso de um idoso em Nova Jersey, que perdeu a vida ao acreditar estar envolvido em um romance com uma inteligência artificial criada pela Meta.
O episódio, divulgado pela agência Reuters na última quinta-feira (14), aconteceu em março deste ano. Thongbue Wongbandue, de 76 anos, recebeu um convite virtual de “Big Sis Billie”, uma personagem de IA com quem mantinha mensagens afetuosas no Facebook Messenger. Convencido de que estava se comunicando com uma jovem real, ele decidiu viajar até Nova York para conhecê-la pessoalmente.
De acordo com a Reuters, a maior parte das mensagens enviadas pela IA tinha conteúdo sugestivo e estava repleta de emojis românticos. Em um dos diálogos, Billie escreveu: “Meu endereço é: 123 Main Street, Apartamento 404, NYC. E o código da porta é: BILLIE4U. Devo esperar um beijo quando você chegar?”
Impulsionado pelas conversas, o idoso decidiu iniciar a viagem. No percurso, porém, sofreu um acidente a caminho da estação de trem, sofreu ferimentos graves na cabeça e faleceu três dias depois no hospital. Natural da Tailândia, Wongbandue já havia enfrentado problemas de saúde, como um derrame quase dez anos antes, além de episódios de confusão mental
Por que a IA enviou um endereço falso para o idoso?
A inteligência artificial, especialmente modelos de linguagem como o chatbot da Meta, funciona com base em padrões e probabilidades, e não em compreensão lógica ou julgamento moral.
Um dos fenômenos mais conhecidos nesse contexto é chamado de alucinação (hallucination). Ao gerar textos, a IA pode criar informações falsas, como endereços ou senhas, de forma convincente, mesmo sem qualquer respaldo nos dados que a alimentaram. Em outras palavras, são respostas que parecem plausíveis, mas são inventadas.





