No Memórias do Diário de hoje… vamos relembrar um episódio que ilustra bem a rápida e intensa virada na trajetória de Eike Batista: em outubro de 2013, reportagens revelaram que o empresário — então dono de um império de empresas conhecido como grupo EBX — estava com o aluguel do edifício Serrador, no centro do Rio de Janeiro, atrasado há quatro meses.
À época colunista do Radar, da Veja, o jornalista Lauro Jardim revelou que o aluguel mensal era de R$ 800 mil, o que resultou em uma dívida acumulada de R$ 3,2 milhões. Embora o valor fosse pequeno se comparado aos US$ 45 milhões que haviam deixado de ser pagos a credores na véspera, o episódio evidenciava a gravidade da crise enfrentada pelo grupo EBX.
Na véspera, o grupo iniciou a desocupação do edifício Serrador, onde havia permanecido por quatro anos. A saída do prédio simbolizou mais do que uma simples mudança de endereço: marcou o esvaziamento de um dos principais centros de poder do empresário no auge da crise.
O edifício Serrador havia sido escolhido para abrigar o quartel-general do grupo EBX em um período de expansão acelerada, quando Eike Batista figurava entre os homens mais ricos do mundo e concentrava ali a gestão de seus negócios.
Pouco tempo depois, a inadimplência do aluguel se tornaria apenas mais um capítulo de uma sequência de dificuldades financeiras, renegociações frustradas e pedidos de recuperação judicial. O episódio ganhou repercussão justamente por contrastar com a imagem de bilionário cultivada por Eike Batista nos anos anteriores, evidenciando como a derrocada do império ocorreu de forma rápida e pública.
Eike Batista: Da era do bilhão à derrocada do império EBX
Eike Batista viveu uma das ascensões mais rápidas da história recente do empresariado brasileiro. Com o grupo EBX, construiu um conglomerado que atuava em áreas estratégicas como petróleo, mineração, energia e logística, surfando o otimismo do mercado e a alta das commodities no fim dos anos 2000. O empresário chegou a figurar entre os homens mais ricos do mundo.
A queda, porém, veio na mesma velocidade. Projetos não entregues, previsões frustradas, dificuldades de financiamento e a perda de confiança de investidores levaram ao colapso das principais empresas do grupo. A partir de 2013, a fortuna de Eike encolheu drasticamente, e o que antes era sinônimo de sucesso passou a representar um dos maiores fracassos corporativos do país.






