Pela primeira vez em 20 anos, o MAS (Movimento ao Socialismo), partido que teve no ex-presidente Evo Morales sua principal figura, ficará de fora da disputa pela Presidência da Bolívia. No segundo turno, vão se enfrentar o senador Rodrigo Paz Pereira e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, ambos representantes da oposição.
A maior surpresa da eleição é a presença de Pereira no segundo turno, visto que o candidato até então não aparecia como favorito nas pesquisas, ocupando, no máximo, o terceiro lugar. Agora, o político de Tarija, no sul do país, buscará seguir os passos de seu pai, o ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989-1993).
O empresário Samuel Doria Medina, favorito nas pesquisas e candidato à Presidência pela quarta vez, ficou em terceiro lugar. Com a esquerda fragmentada, o grupo sofre uma derrota rara na Bolívia. Sua maior chance de permanecer no poder estava com Andrónico Rodríguez, presidente do Senado e líder do setor cocaleiro.
Antigo aliado de Evo Morales, ele rompeu com o ex-presidente e concorreu às eleições de forma independente. O fim do ciclo de vitórias da esquerda na Bolívia evidencia a fragilidade do MAS, partido que chegou ao poder em 2006 com Evo, mas que enfrentou disputas internas — especialmente entre o ex-presidente e o atual, Luis Arce — antes de perder o pleito deste ano.
Um resumo do primeiro turno das eleições bolivianas
Candidatos que avançaram para o segundo turno:
- Rodrigo Paz Pereira (Partido Democrata Cristão) – 32,1% dos votos válidos.
- Jorge “Tuto” Quiroga (Aliança Livre) – 26,98% dos votos válidos.
- Terceiro lugar: Samuel Doria Medina (empresário) – 19,97% dos votos válidos.
Fatores da derrota do MAS:
- Fragmentação da esquerda.
- Apelo de Evo Morales por votos nulos.
- Número recorde de votos nulos: 19%.
Contexto:
- Pela primeira vez em duas décadas, a esquerda fica fora da disputa direta pela presidência.
- A eleição indica uma mudança significativa em direção à direita no cenário político boliviano.






