Os entregadores de aplicativos em Campinas (SP) marcaram uma paralisação entre os dias 12 e 14 de setembro. O movimento tem como alvo o novo modelo de entregas do iFood, chamado subpraça ou +Entrega. Durante os três dias de mobilização, estão previstas motociatas até shoppings e ao escritório da empresa, além da suspensão das entregas na região. Os trabalhadores também planejam aulas públicas para explicar à população os impactos das mudanças.
Como funciona a subpraça
A nova lógica do aplicativo divide as cidades em pequenas áreas de operação. Cada entregador fica restrito a atuar apenas dentro da sua subpraça, perdendo a flexibilidade de circular por outras regiões. O iFood defende que o modelo traz mais previsibilidade e garante uma remuneração composta por taxa de entrega e valor fixo por hora de disponibilidade.
Críticas dos trabalhadores
Para os entregadores, a mudança significa menos autonomia e queda na renda. Eles denunciam que o valor pago por entrega é de apenas R$ 3,30, bem abaixo dos reajustes anunciados em abril, quando motociclistas recebiam R$ 7,50 e ciclistas, R$ 7,00. Além disso, afirmam que o sistema obriga a aceitar todas as corridas e restringe a área de trabalho.
Posição oficial do iFood
Em nota, o iFood afirmou que o modelo +Entrega busca oferecer maior estabilidade nos ganhos e que os R$ 3,30 representam apenas parte da remuneração, somada ao valor fixo por hora. A empresa sustenta ainda que a adesão ao sistema é opcional e está sendo implementada gradualmente no país.
Impactos e próximos passos
Durante a paralisação, consumidores de Campinas podem enfrentar atrasos nas entregas e até taxas mais altas pela baixa oferta de entregadores. Para o iFood, além das perdas operacionais, o protesto representa um risco de desgaste de imagem. O desfecho da mobilização pode influenciar futuras negociações da categoria e reacender o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil.






