Durante anos, o iFood construiu uma posição quase imbatível no mercado brasileiro de delivery. Mas, segundo um analista internacional, esse domínio pode estar perto do fim, com a liderança do aplicativo ameaçada em poucos anos.
Mercado grande demais para um só líder
Para Yuanpu Huang, pesquisador e fundador da empresa de análise EqualOcean, o mercado brasileiro de delivery ainda está longe de estar totalmente desenvolvido. Apesar da força do iFood, pode haver uma “demanda inexplorada” suficiente para permitir uma virada no ranking.
Na visão do especialista, o crescimento e expansão do mercado no Brasil não necessariamente beneficiaria quem lidera o ranking hoje.
Concorrência global e pressão tecnológica
O especialista aponta três fatores para esse cenário: o fim de um longo período de concorrência reduzida, a entrada de empresas mais focadas em tecnologia do que apenas na logística e o compromisso de grupos estrangeiros em disputar a liderança no Brasil.
O principal risco, segundo Huang, vem da Keeta, plataforma controlada pela gigante chinesa Meituan, mesmo ainda pouco presente no país. A previsão do especialista é de que, em até três anos, o iFood deixaria de ser o número um.
“Mesmo que o iFood consiga manter o volume de pedidos atual estável, a Keeta ainda pode ultrapassá-lo, capturando a maior parte do crescimento incremental”, diz.
Histórico de sobrevivência do iFood
Fundado em 2011, o iFood atravessou diferentes ciclos do mercado. Viu rivais como Glovo, Uber Eats e 99Food deixarem o setor, enquanto a Rappi permaneceu, mas sem a mesma força entre restaurantes. A empresa também se beneficiou da pandemia e da expansão para além da comida, como mercado e farmácias, se consolidando como uma plataforma de serviços.
Especialistas apontam que escala, tempo de mercado e um ecossistema integrado ajudaram a sustentar essa liderança. Ainda assim, novas plataformas costumam competir com taxas menores e incentivos.
Regulamentação e contratos
Além da concorrência, o setor enfrenta ausências regulatórias e disputas sobre contratos de exclusividade com restaurantes. Para Huang, esse modelo tende a enfraquecer com o tempo, seja por pressão jurídica ou pela resistência dos próprios estabelecimentos.
O alerta final do analista é de que, no curto prazo, o iFood pode se beneficiar do conhecimento do mercado local. Porém, a longo prazo, limitações tecnológicas podem se transformar em um obstáculo difícil de superar.






