Uma pesquisa divulgada na revista científica Lancet aponta que os plásticos constituem um “risco sério, crescente e pouco percebido” para a saúde humana e do meio ambiente. O estudo, publicado no início desta semana, revela que o mundo enfrenta uma “crise dos plásticos” responsável por causar doenças e mortes em todas as faixas etárias.
Os danos à saúde estão estimados em incríveis US$ 1,5 trilhão (R$ 8,2 trilhões) por ano. Ainda de acordo com o documento, o volume de produção de plásticos cresceu mais de 200 vezes desde 1950 e deve quase triplicar até 2060, ultrapassando 1 bilhão de toneladas anuais.
Mais de 98% dos plásticos são produzidos a partir de petróleo, gás natural e carvão, e sua fabricação libera cerca de 2 bilhões de toneladas de CO₂ por ano. O estudo revela que mais de 16.000 produtos químicos são utilizados na fabricação de plásticos, incluindo enchimentos, corantes, retardadores de chama e estabilizadores.
O professor Philip Landrigan, pediatra e epidemiologista do BC (Boston College) nos EUA e autor principal do relatório, reforçou o alerta: “Os impactos recaem mais pesadamente sobre populações vulneráveis, especialmente bebês e crianças. Eles resultam em enormes custos econômicos para a sociedade. É nossa obrigação agir em resposta”.
Outro estudo falou sobre os microplásticos
Em fevereiro deste ano, um estudo da Universidade do Novo México, nos EUA, apontou que os microplásticos, com menos de cinco milímetros de diâmetro e os nanoplásticos, que são ainda menores, se acumulam em níveis mais elevados no cérebro do que em outros órgãos.
A maior parte dos fragmentos de plástico identificados nas amostras cerebrais correspondia ao polietileno, um material amplamente utilizado em embalagens de alimentos, bebidas e frascos de xampu, entre diversos outros produtos. Essas partículas microscópicas resultam da degradação de plásticos maiores e estão tão disseminadas no ambiente que sua localização e detecção tornaram-se extremamente difíceis.
Já são mais de 9 bilhões de toneladas de lixo plástico
Atualmente, estima-se que existam cerca de 9,2 bilhões de toneladas de lixo plástico acumuladas no mundo desde o início da produção em massa, por volta da década de 1950. Anualmente, cerca de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas no planeta.
Aproximadamente 79% desse plástico descartado acaba acumulado em aterros, no meio ambiente ou nos oceanos. Só nos oceanos, já há cerca de 150 milhões de toneladas de plástico flutuando ou acumulado, o que ameaça a vida marinha e os ecossistemas.






