Barcelona anunciou que não vai renovar as licenças de operação de Airbnbs, que têm validade de cinco anos. Com isso, o número de imóveis ofertados na plataforma será reduzido gradualmente até novembro de 2028, quando expira a última autorização e o serviço deixará de funcionar na cidade.
O motivo é o impacto direto no mercado imobiliário: com cerca de 10 mil imóveis destinados a turistas, a oferta de moradias para os próprios moradores diminuiu, pressionando os preços. A combinação de alta demanda e pouca disponibilidade fez os aluguéis dispararem, e muitos residentes de baixa renda acabaram sendo empurrados para fora do centro.
Em 2023, os aluguéis tiveram um aumento de 14%. A decisão de Barcelona é considerada uma das ações mais duras já adotadas contra a chamada hotelaria informal, mas não é um caso isolado. Desde setembro de 2023, Nova York permite o funcionamento de Airbnbs e serviços similares apenas quando o proprietário permanece no imóvel durante toda a estadia do hóspede.
Na cidade estadunidense é possível alugar um quarto, mas não a residência inteira. Atenas, por sua vez, interrompeu a emissão de novas licenças em três distritos centrais, e aumentou os impostos sobre os proprietários.
Turismo em transformação e busca por moradia acessível
Com a pressão sobre o mercado de habitação aumentando, cidades ao redor do mundo têm reavaliado o impacto das plataformas de aluguel por temporada. Em Barcelona, o governo defende que limitar a atuação dos Airbnbs é uma forma de priorizar quem vive na cidade, garantindo que moradores não sejam expulsos pelos altos custos e pela competição direta com o turismo massivo.
Esse movimento internacional revela uma tendência crescente de regulamentação mais rígida para proteger a população local. Ao restringir ou alterar as regras de funcionamento dos aluguéis de curta duração, governos buscam não apenas controlar o preço dos imóveis, mas também repensar o modelo turístico para torná-lo mais sustentável.






