O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região anunciou que vai protocolar, nesta sexta-feira (12), uma ação coletiva contra o Itaú Unibanco na Justiça do Trabalho. O objetivo é garantir a reintegração de mais de mil funcionários desligados nesta semana, em um movimento classificado como demissão em massa sem diálogo prévio com a entidade sindical.
Críticas à postura do banco
Segundo a presidente do sindicato, Neiva Ribeiro, a medida do Itaú desrespeita tanto a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria quanto decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), que exigem negociação com sindicatos antes de cortes em larga escala. “Um banco que lucra bilhões não pode tratar trabalhadores como números descartáveis”, declarou.
Reintegração e monitoramento no home office
Além da readmissão imediata, a ação também questiona as ferramentas de monitoramento utilizadas no regime de teletrabalho. De acordo com o sindicato, os desligamentos foram justificados pelo banco com base em indicadores de “inatividade em máquinas corporativas”, mas os trabalhadores afirmam que a produtividade não pode ser medida apenas pelo uso de mouse e teclado. A entidade alega ainda que não teve acesso às métricas que embasaram as demissões.
Possibilidade de nova ação
O sindicato estuda propor uma segunda ação, desta vez por danos morais, em razão do impacto emocional e da repercussão negativa causada pelas dispensas. Mais de 380 demitidos participaram de uma reunião com a entidade na quinta-feira (11), contestando os argumentos apresentados pelo banco.
O que diz o Itaú
Em nota, o Itaú afirmou que os desligamentos fazem parte de uma “gestão responsável” e negou que tenha utilizado métricas simplistas para avaliar a performance. O banco declarou que o programa de monitoramento respeita a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e considera diferentes atividades digitais, como reuniões por vídeo, mensagens corporativas e uso de sistemas internos.
Próximos passos
A ação judicial será protocolada ainda nesta sexta-feira (12), e novas mobilizações estão previstas em conjunto com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). O sindicato promete manter protestos em frente a agências e prédios administrativos do Itaú até que a Justiça se pronuncie.






