Menos de um ano após a morte do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Roberto Saturnino Braga, a família decidiu colocar à venda um dos objetos mais simbólicos de sua trajetória: o Fusca 1979. O veículo foi colocado à venda em agosto de 2025 por R$ 50 mil.
Apesar de ter sido associado à vida pública do político, o modelo de 1979 não foi o veículo que o acompanhou durante o mandato como prefeito entre 1986 e 1989. Naquela época, Saturnino dirigia um Fusca 1978.
Conhecido pelo estilo simples, o ex-prefeito do Rio costumava dirigir o próprio Fusca até os compromissos oficiais, costume que se manteve até mesmo quando ocupava o cargo máximo do Executivo municipal. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu quando ele foi à sede da Prefeitura dirigindo e justificou a ausência do motorista afirmando que o funcionário não tinha dinheiro para pagar a passagem de ônibus.
Em 1990, o automóvel foi roubado na porta de sua casa, na época localizada no Jardim Botânico, zona sul do Rio. Em 1995, em entrevista à Folha de São Paulo, quando já exercia a função de vereador, Saturnino lembrou que o veículo foi encontrado dois dias depois, em Itaboraí, e havia sido depenado. Ele então, consertou o automóvel e continuou com o mesmo até 1994, quando trocou o antigo por um modelo zero quilômetro.
O Fusca 1979 chegou a ser apontado como peça que deveria integrar o acervo do Museu da Cidade, dada sua relevância histórica. Até o momento, porém, não há informações confirmando se o veículo foi vendido.
Vida e legado de Roberto Saturnino Braga
Roberto Saturnino Braga morreu no dia 3 de outubro de 2024, aos 93 anos, em decorrência de doença pulmonar obstrutiva crônica, no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo. Figura marcante da política fluminense, iniciou sua carreira em 1963. Foi senador, prefeito do Rio eleito pelo voto direto em 1986, vereador e secretário municipal. Durante seu mandato como prefeito, enfrentou uma grave crise financeira e chegou a declarar a falência do município em 1988.
Além da vida política, Saturnino também se destacou como escritor, publicando 23 livros, sempre com forte relação afetiva com o Rio de Janeiro declarada nas obras.






