Apontado como o país com o 12º melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Mundo pela ONU (Organização das Nações Unidas), o Japão convive com um curioso problema habitacional: o país asiático atingiu um recorde de 9 milhões de casas abandonadas. O número é mais do que suficiente para toda população da cidade do Rio de Janeiro.
Conhecidas como “akiya”, um termo que geralmente se refere a casas residenciais abandonadas escondidas em áreas rurais, estão cada vez mais sendo encontradas nas grandes cidades, como Tóquio e Kyoto. De acordo com dados compilados pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, 14% de todos os imóveis residenciais no Japão estão vagos.
A explicação para tudo isso é ainda mais curiosa: o envelhecimento da população e a queda alarmante no número de crianças nascidas todos os anos. As akiya são frequentemente recebidas de geração em geração. Mas com a queda acentuada da taxa de fertilidade no Japão, muitos ficam sem herdeiros para quem repassar.
A população japonesa está em declínio há vários anos. Na última contagem, realizada em 2022, a população tinha diminuído em mais de 800 mil desde o ano anterior e apontou 125,4 milhões de habitantes. Em 2023, o número de novos nascimentos caiu pelo oitavo ano consecutivo, atingindo um mínimo histórico, segundo dados oficiais.
Casas vazias causaram problemas no passado
Em entrevista à CNN Brasil, Yuki Akiyama, professor da faculdade de arquitetura e urbanismo da Universidade da Cidade de Tóquio, relembrou que as ‘akiyas’ já causaram problemas no passado, quando um terremoto de magnitude 7,5 atingiu a península de Noto, na província central de Ishikawa, em janeiro de 2024.
“Quando ocorre um terremoto ou tsunami, existe a possibilidade de que as casas vazias bloqueiem as rotas de evacuação à medida que quebram e são destruídas”, disse Akiyama.
Após o terremoto, as autoridades tiveram dificuldades para decidir quais propriedades danificadas poderiam limpar devido à falta de clareza sobre a propriedade, o que representava “um obstáculo para a reconstrução”, concluiu o professor.






