Em pleno século XXI, uma lei ainda em vigor proíbe que a população de um país inteiro dê risada, se divirta ou dance em determinadas datas do ano.
O que parece piada de mau gosto é, na verdade, uma regra séria e estritamente cumprida em um dos regimes mais autoritários e isolados do planeta.
Nessas datas, qualquer demonstração de alegria pode ser vista como um desrespeito à memória de um líder político considerado sagrado pelo governo local.
O cenário é tão extremo que cantar em público, consumir bebidas alcoólicas ou simplesmente sorrir pode resultar em punições severas.
Lei aprovada beira o absurdo e proíbe a população de dar risada em dias específicos nesse país
Essa realidade acontece na Coreia do Norte. Nos dias 8 de julho e 15 de abril, o país vive um clima de luto oficial. O motivo: homenagear Kim Il-sung, o fundador da República Popular Democrática da Coreia, que comandou o país com mão de ferro por quase meio século.
Essas datas marcam, respectivamente, o dia de sua morte, em 1994, e seu nascimento, em 1912.
Nesses dias, os cidadãos são obrigados a demonstrar respeito absoluto. Toda forma de diversão está proibida: nada de festas, risadas, música ou qualquer atitude considerada desrespeitosa. Até mesmo o tom de voz em locais públicos deve ser contido.
A legislação que proíbe a risada não está escrita em códigos acessíveis, mas faz parte do sistema de controle social e doutrinação que rege o país.
A população é instruída desde cedo a tratar Kim Il-sung como uma figura quase divina. Retratos seus ocupam lugar de destaque em casas, escolas e prédios públicos.
Em cada aniversário ou data de sua morte, milhões de norte-coreanos são convocados a visitar monumentos erguidos em sua homenagem, levando flores e prestando reverência diante de suas estátuas. Mais de 34 mil delas estão espalhadas pelo território nacional.
Risada é proibida na Coréia do Norte no dia do “presidente eterno”
Kim Il-sung é visto pelo regime como o “presidente eterno” da nação. Durante a ocupação japonesa na península coreana, ele ganhou destaque como guerrilheiro.
Após a Segunda Guerra Mundial, com o apoio da União Soviética, assumiu o controle do norte da península e instaurou um governo comunista. Em 1950, ordenou a invasão da Coreia do Sul, iniciando a Guerra da Coreia.
Seu legado, embora marcado por conflitos, fome na década de 90 e isolamento que dura até hoje, ainda é tratado com devoção pelo regime atual, liderado por seu neto, Kim Jong-un.
Assim, mesmo décadas após sua morte, Kim Il-sung continua a silenciar risadas em seu país.






