Pouca gente imagina que uma das maiores potências do agronegócio nacional tenha surgido a partir de uma iniciativa comunitária liderada por um religioso. A Lar Cooperativa, hoje com atuação internacional e faturamento bilionário, nasceu em um contexto marcado por desafios econômicos e falta de estrutura no interior do país.
Padre teve papel fundamental
Criada em 1964, no município de Missal, no oeste do Paraná, a cooperativa teve origem na união de 55 agricultores e do padre José Backes. O objetivo era simples e urgente: organizar a produção agrícola e criar caminhos para a comercialização em uma região que ainda passava por um intenso processo de ocupação.
Raízes no cooperativismo e na fé
No início, a organização recebeu o nome de Comasil e surgiu como resposta às dificuldades enfrentadas por famílias vindas principalmente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A ausência de crédito, os entraves logísticos e a pouca infraestrutura exigiam soluções coletivas.
A atuação de José Backes foi decisiva para consolidar um modelo baseado na cooperação, na divisão de custos e na tomada conjunta de decisões. Essa estratégia ajudou o grupo a atravessar os primeiros anos, período considerado crítico para a sobrevivência de iniciativas do tipo.
Expansão e mudança de identidade
Na década de 1970, a cooperativa passou a se chamar Cotrefal e transferiu sua sede para Medianeira, ampliando a capacidade de recebimento e armazenamento de grãos. O crescimento da produção exigiu novos investimentos e uma estrutura mais robusta.
Já nos anos 1980, a organização entrou em uma nova fase, apostando na industrialização e adotando o nome Lar, marca que passou a identificá-la em âmbito nacional.
Consolidação no mercado global
O avanço decisivo ocorreu a partir de 1999, com a implantação de uma unidade industrial voltada ao setor avícola. A partir daí, a cooperativa intensificou a integração da cadeia produtiva, investiu em gestão profissional e expandiu sua presença territorial.
Atualmente, a Lar reúne mais de 15 mil associados, emprega cerca de 25 mil pessoas e exporta para aproximadamente 100 países. Em 2024, o grupo superou a marca de R$ 20 bilhões em faturamento, consolidando-se como um dos principais nomes do agronegócio brasileiro.






