Durante anos, especialistas sustentaram a hipótese de que somente as plantas eram capazes de desenvolver apêndices comestíveis em suas sementes para, assim, atrair agentes dispersores. Entretanto, este entendimento foi desafiado por uma descoberta feita por um menino de apenas oito anos.
Isso porque, enquanto explorava o quintal de sua casa, o pequeno Hugo Deans encontrou pequenos objetos sendo coletados por formigas que, embora parecessem sementes, tratavam-se de galhas de carvalho.
A partir disso, cientistas de instituições como a Penn State e a SUNY Buffalo State, nos Estados Unidos, uniram esforços para conduzir um estudo investigativo e, conforme publicado na revista American Naturalist, concluíram que os objetos eram produzidos pelas chamadas vespas-das-galhas.
Em suma, esses insetos insetos manipulam os carvalhos para gerar estruturas capazes de atrair formigas, o que acaba colocando em xeque a interpretação clássica da mirmecocoria.
Afinal, a abundância de galhas de carvalho na natureza pode indicar que a interação entre vespas e formigas provavelmente antecedeu a relação com as plantas, com as estruturas servindo como agentes de condicionamento comportamental muito antes de algumas flores silvestres sequer existirem.
A manipulação das vespas: detalhes sobre descoberta feita por menino
De acordo com o que foi apurado pela pesquisa dos cientistas, além de induzir o carvalho a produzir a galha, as vespas também são capazes de fazer com que as estruturas desenvolvam uma espécie de “capa” volumosa e comestível que foi chamada de kápellos.
Contando com altas concentrações de ácidos graxos, essas coberturas são capazes de mimetizar a química de insetos mortos, o que acaba atraindo a atenção das formigas, sobretudo as carniceiras.
Ao transportarem as galhas para seus ninhos e consumirem exclusivamente a camada externa dessas estruturas, as formigas acabam desempenhando um papel protetor, assegurando que as larvas das vespas que estão no interior permaneçam protegidas de predadores externos até a eclosão.






