No ano de 2024, o presidente da Argentina Javier Milei introduziu uma mudança radical nas regras de locação no país ao revogar a antiga Lei do Aluguel e permitir que novos contratos sejam negociados em moeda estrangeira, como o dólar, a critério de proprietários e inquilinos — uma possibilidade antes proibida pela legislação vigente.
Cobrança em dólar
Essa medida, parte de um conjunto mais amplo de reformas econômicas com o objetivo de “desregulamentar” o mercado, gerou grande polêmica no setor imobiliário argentino, com temores de que a dolarização dos aluguéis pressionasse ainda mais os locatários em um contexto de inflação alta e incerteza econômica.
Atualmente, o cenário do mercado de aluguéis na Argentina reflete os efeitos das mudanças promovidas pelo presidente Javier Milei após a revogação da antiga Lei do Aluguel: o setor tem vivido uma reconfiguração profunda, com oferta de imóveis em locação aumentando significativamente e a negociação entre proprietários e inquilinos sendo flexibilizada.
Nos meses seguintes à revogação da lei, a oferta de unidades para aluguel cresceu de forma expressiva em cidades como Buenos Aires, aliviando — ainda que parcialmente — a escassez que marcava o mercado nos anos anteriores e contribuindo para uma tendência de queda dos preços reais quando ajustados pela inflação.
Oferta maior, contratos mais livres e novos desafios para os inquilinos
Com a flexibilização das regras, proprietários passaram a ter mais autonomia para definir prazos, reajustes e a moeda de pagamento dos contratos, o que atraiu de volta imóveis que antes estavam fora do mercado formal de locação. Especialistas apontam que essa maior liberdade ajudou a recompor a oferta e a reduzir distorções causadas pelos controles anteriores.
Por outro lado, a possibilidade de contratos em dólar levanta preocupações entre inquilinos, especialmente aqueles com renda atrelada ao peso argentino. Em um país ainda marcado por forte volatilidade cambial e inflação elevada, o novo modelo pode trazer mais previsibilidade para os proprietários, mas também aumentar a insegurança financeira de quem aluga.






