Editorial publicado pelo jornal O Globo aponta que o ajuste promovido na reforma da Previdência de 2019 conseguiu conter o avanço do déficit, mas seus efeitos positivos já começam a perder força. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o rombo previdenciário saiu de 2,64% em 2015, chegou a 5,59% no início da pandemia e recuou para 3,42% ao fim do ano passado.
A melhora recente, segundo a análise, é resultado direto das novas regras e do mercado de trabalho aquecido — fatores que não devem se sustentar indefinidamente. Um dos principais desafios está na mudança do perfil demográfico brasileiro.
Mais relevante que a expectativa de vida ao nascer é a chamada “expectativa de sobrevida”. Na década de 1970, um homem de 60 anos vivia, em média, mais 16 anos; hoje, esse número chega a 21. Entre as mulheres, a projeção passou de 17 para 24 anos.
Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade caiu, e projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que, até 2060, a população de 0 a 14 anos encolherá 39%, enquanto a faixa de 15 a 59 anos deve cair 18%. Com menos trabalhadores ativos contribuindo e mais aposentados vivendo por períodos mais longos, o sistema tende a enfrentar pressão crescente.
O próprio governo federal reconhece a necessidade de novos ajustes. O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou ao jornal que é preciso “normalizar” reformas previdenciárias para que o sistema acompanhe o aumento da longevidade, sinalizando que o tema voltou ao centro da agenda econômica.
Embora a reforma de 2019 tenha estabelecido idade mínima — 62 anos para mulheres e 65 para homens na iniciativa privada — e corrigido distorções como aposentadorias precoces, o editorial destaca que ainda há pontos sensíveis. Entre eles estão as regras diferenciadas para militares, as diferenças entre regimes urbanos e rurais e a vinculação de benefícios ao salário mínimo.






