Trabalhadores do setor marítimo da Argentina iniciaram nesta quarta-feira (18) uma greve de 48 horas que afeta a circulação de navios de carga em alguns dos principais portos do país. A mobilização é conduzida pela FESIMAF e tem como foco a proposta de reforma trabalhista defendida pelo presidente Javier Milei.
A paralisação compromete atividades consideradas estratégicas para a navegação comercial, como carga e descarga de mercadorias, transporte de práticos e suporte logístico às embarcações. De acordo com fontes do setor, os reflexos já são mais perceptíveis na região de Rosário, um dos principais polos mundiais de exportação de grãos e seus derivados.
Guillermo Wade, dirigente da Câmara de Atividades Portuárias e Marítimas, afirmou que a paralisação já começa a impactar a rotina nos portos. Segundo ele, os navios continuam sendo carregados, mas a tendência é que interrompam o processo antes de alcançar o calado necessário para deixar o porto, o que pode provocar uma sequência de atrasos.
A greve acontece às vésperas da votação do projeto na Câmara dos Deputados da Argentina. A proposta já foi aprovada pelo Senado da Argentina na semana anterior e faz parte do pacote de reformas estruturais com o qual o governo busca flexibilizar normas trabalhistas e reduzir custos para as empresas.
Os sindicatos afirmam que a proposta compromete direitos históricos da categoria, ao prever a redução de indenizações por demissão, a ampliação da jornada de trabalho e a limitação de instrumentos de greve. Para as entidades, as mudanças representam um retrocesso nas garantias conquistadas ao longo de décadas.
O governo, por sua vez, defende que as alterações são essenciais para atualizar a legislação trabalhista e tornar o mercado mais dinâmico. Segundo a gestão de Javier Milei, as medidas podem incentivar a formalização do emprego em um cenário de baixo crescimento econômico e inflação elevada.






