O Brasil reúne atualmente mais de 400 mil farmacêuticos espalhados por farmácias, hospitais, laboratórios, vigilâncias sanitárias e unidades do SUS. São profissionais que, além de gerir estoques e garantir o uso seguro de medicamentos, assumem funções cada vez mais clínicas, como aplicação de injetáveis, acompanhamento de pacientes com doenças crônicas e orientação direta à população. Somente em 2024, nas redes privadas, foram registrados mais de 14 milhões de atendimentos desse tipo, número que destaca a presença indispensável dessa categoria na rotina de cuidados em saúde.
Mesmo diante dessa relevância crescente, a remuneração nacional média permanece em torno de R$ 4,4 mil para jornadas semanais de 44 horas. A disparidade entre responsabilidade e salário reacende o debate sobre o Piso Salarial Nacional previsto no PL 1.559/2021, defendido por entidades da categoria como uma medida de equidade mínima.
Mercado forte indica capacidade para absorver o piso
O setor farmacêutico é hoje um dos pilares da economia brasileira. Em 2024, movimentou cerca de R$ 220,9 bilhões e segue em ritmo contínuo de expansão. Estudos apresentados ao Congresso mostram que o impacto financeiro do piso representaria menos de 2% do faturamento do varejo, porcentagem considerada perfeitamente administrável em um segmento sólido e diversificado.
Outro dado relevante é a quantidade de farmácias no país: o Brasil possui quatro vezes mais unidades do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Há uma para cada 2.142 habitantes, o que indica que existe estrutura suficiente para acomodar a valorização profissional sem comprometer o atendimento.
Investimento que reduz gastos em saúde
Especialistas lembram que o fortalecimento da assistência farmacêutica gera economia. Estimativas apontam que cada real investido no trabalho clínico do farmacêutico pode poupar até R$ 2,50 em despesas futuras do sistema de saúde, graças à prevenção de erros de medicação e melhor acompanhamento de tratamentos.
PL busca corrigir distorções históricas
Apesar de interpretações equivocadas, o Piso Salarial Nacional abrange todo o serviço público, e estados já se aproximam do valor previsto, estimado em R$ 7,4 mil após atualização. Para municípios, o projeto prevê implementação gradual, permitindo adaptação sem comprometer as contas locais.
A proposta, defendida por conselhos, sindicatos e entidades representativas, é vista como um passo necessário para reconhecer o papel de profissionais que garantem segurança, qualidade da assistência e cuidado direto à população.






