Na última semana, a marca de produtos de limpeza Ypê acabou se tornando alvo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou a suspensão de fabricação, comercialização e uso de diversos itens por conta de irregularidades identificadas em inspeções.
Entretanto, debates sobre o caso acabaram ganhando contornos políticos depois que apoiadores do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro passaram a defender a marca, principalmente por meio de campanhas nas redes sociais.
A princípio, a associação entre o político e a Química Amparo, que é a responsável por produzir os produtos Ypê, pareceu confusa. Até que dados do portal de transparência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vieram à tona e elucidaram a conexão.
Conforme divulgado por diversos veículos de imprensa, membros da família Beira, que controla a fabricante da Ypê, fizeram doações para a campanha de Bolsonaro à reeleição em 2022. Realizadas por pessoas físicas, as contribuições chegaram a R$ 1,5 milhão.
De acordo com a revista Veja, Waldir Jr., Antônio Ricardo e Ana Maria Beira doaram cerca de R$ 250 mil cada, enquanto Eduardo Beira, sozinho, contribuiu com mais R$ 750 mil. Por conta disso, eleitores de Bolsonaro classificaram a medida da Anvisa como um ato de perseguição política.
Ypê já possui histórico de proibições da Anvisa
Apesar dos argumentos apresentados pelos apoiadores do ex-presidente, é relevante destacar que o ocorrido em 2026 não representou a primeira ocasião em que a Ypê enfrentou problemas junto à Anvisa.
No fim do ano passado, o órgão já havia determinado o recolhimento de produtos das marcas Ypê e Tixan Ypê fabricados na unidade de Amparo, em São Paulo, em razão da identificação de bactérias. Já em 2024, a própria empresa promoveu um recall voluntário por questões semelhantes.
Inclusive, vale ressaltar que foi justamente esse histórico que pesou na decisão da Anvisa de suspender a circulação de uma lista ainda maior de produtos da empresa.






