A expectativa em torno do futuro jurídico do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou novas dimensões nesta semana, após relatos de que autoridades de alto escalão intensificaram reuniões e articulações fora das agendas oficiais. A informação foi divulgada pelo colunista Robson Bonin no programa Ponto de Vista.
Conforme apurou o jornalista, Moraes tem conduzido conversas estratégicas e extremamente reservadas sobre os desdobramentos da prisão, envolvendo inclusive autoridades militares. Um desses encontros envolveu o oficial do comandante do Exército, general Tomás Paiva.
Durante o encontro, Moraes e Paiva discutiram especificamente como seria conduzida a operação destinada a prender figuras centrais envolvidas nos atos de 8 de janeiro — entre elas Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. A reunião ocorreu por uma rara coincidência: Tomás Paiva estava reunido com o ministro da Defesa, José Múcio, quando recebeu uma ligação de Moraes.
Convidado a ir pessoalmente ao Quartel-General, o ministro do STF acabou se juntando aos dois para tratar do assunto. Segundo Bonin, o general Tomás Paiva deixou claro o clima delicado dentro das Forças Armadas: mesmo após condenações, os generais que integravam a antiga cúpula ainda preservam forte respeito entre muitos militares da ativa.
Muitos militares da ativa trabalharam diretamente sob o comando desses generais, e vê-los presos de maneira considerada humilhante — algemados, filmados e escoltados por viaturas da PF — poderia causar uma “contaminação do ambiente”. Por isso, o pedido feito foi de total discrição: nada de exposição pública e preferência para que a própria força militar conduza a operação.
Bolsonaro preso fora do quartel
Ainda segundo Bonin, o Exército não apresentou nenhum pedido por tratamento privilegiado ao ex-presidente. Tomás Paiva apenas comunicou a Moraes que, caso o STF optasse por mantê-lo em uma instalação militar, toda a estrutura já estava pronta — embora tenha ressaltado que essa não era a opção desejada pela Força.






