Os patinetes elétricos deixaram de ser novidade e passaram a integrar o cotidiano de muitas cidades brasileiras. Vendidos como aliados da mobilidade urbana, esses veículos são associados à ideia de deslocamentos mais rápidos, menos trânsito e redução da poluição. No entanto, especialistas alertam que o uso crescente desse meio de transporte pode trazer impactos negativos à saúde e à segurança, especialmente entre jovens. As informações são do The Conversation.
Mobilidade prática, mas pouco ativa
A Organização Mundial da Saúde classifica a falta de atividade física como um dos principais problemas de saúde pública da atualidade. Caminhar e pedalar são estratégias fundamentais para inserir movimento na rotina diária, sobretudo em trajetos curtos. Nesse cenário, o avanço da mobilidade assistida levanta questionamentos.
Pesquisas recentes indicam que o uso do patinete elétrico exige um gasto energético muito inferior ao da caminhada ou da bicicleta. Ao substituir deslocamentos feitos a pé, o equipamento reduz o tempo dedicado à atividade física e contribui para um estilo de vida mais sedentário. Além disso, por permitir chegar diretamente ao destino, o patinete tende a afastar o uso combinado com o transporte público.
Menos interação e mais isolamento
Outro ponto observado por pesquisadores é o impacto no convívio social. Diferentemente da caminhada ou da bicicleta, o patinete pode limitar interações espontâneas durante o trajeto, reduzindo conversas e trocas de experiências, algo comum entre jovens que se deslocam a pé ou em grupo.
Crescimento de acidentes preocupa
O aumento do número de patinetes nas ruas também vem acompanhado de um avanço nos registros de acidentes. Dados de órgãos de trânsito europeus mostram crescimento expressivo de internações e mortes envolvendo esse tipo de veículo, com grande parte das vítimas abaixo dos 25 anos. Lesões graves, como fraturas e traumatismos, são recorrentes, agravadas pela velocidade, instabilidade e uso reduzido de equipamentos de proteção.
Bicicleta surge como alternativa
Especialistas defendem que o debate não deve focar na proibição, mas no incentivo a opções mais saudáveis. A bicicleta se destaca por unir atividade física, baixo impacto ambiental e maior estabilidade. Investimentos em ciclovias, educação no trânsito e políticas que priorizem pedestres e ciclistas são apontados como caminhos para uma mobilidade urbana mais segura.
Os patinetes elétricos podem ter seu espaço, mas não substituem os benefícios de um deslocamento ativo. Promover cidades que estimulem o movimento é essencial para a saúde dos jovens e para um futuro urbano mais sustentável.






