Localizado no departamento francês de Mayenne, o Castelo de Laval foi palco de uma revelação bastante intrigante em 1988. Uma escavação arqueológica revelou que uma aristocrata que morreu no século XVII ainda mantinha seus dentes incrivelmente preservados. Quase quatro décadas depois, uma equipe de cientistas desvendou o mistério.
Em 2023, uma análise mais criteriosa permitiu que os cientistas apontassem que Anne d’Alegre, a aristocrata “descoberta” anos antes, usava uma espécie de “aparelho de ouro”. A mulher sofria de uma doença que afrouxava seus dentes e fios de ouro foram utilizados para apertá-los. Tal prática fez com que sua arcada dentária ficasse bastante preservada.
Os mesmos cientistas, porém, também afirmaram que o tal aparelho só foi piorando a condição de Anne, deixando sua arcada ainda mais instável com o passar dos anos. Ainda segundo o estudo, publicado no Journal of Archaeological Science: Reports, o “aparelho de ouro” de Anne precisou ser apertado várias e várias vezes.
A equipe utilizou Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC) para examinar e gerar imagens tridimensionais da arcada dentária, e descobriu que a prótese era feita de marfim de elefante — um material menos comum na época, em que o marfim de hipopótamo era mais utilizado.
Quem foi Anne d’Alegre?
D’Alegre viveu em um período turbulento da história da França. Ela fazia parte dos huguenotes, grupo de protestantes que lutaram contra os católicos nas guerras religiosas francesas no fim dos anos 1500, e presenciou os intensos conflitos. Aos 21 anos, já era viúva e mãe de um filho pequeno, Guy XX de Laval.
Durante a Oitava Guerra Religiosa, Anne e o filho foram obrigados a se esconder das tropas católicas, enquanto suas propriedades eram confiscadas pelo rei. Posteriormente, Guy se converteu ao catolicismo e partiu para lutar na Hungria, onde morreu em combate aos 20 anos.
Após uma segunda viuvez, Anne faleceu aos 54 anos, vítima de uma doença não identificada.






