O Brasil atravessa uma transformação demográfica significativa e silenciosa: entre 2012 e 2024, o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentou 55,4%, passando de 22,7 milhões para 35,2 milhões. No mesmo intervalo, a presença desse grupo no mercado de trabalho avançou 68,9%, totalizando 8,6 milhões de idosos ocupados.
De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, a permanência no mercado de trabalho é impulsionada pela busca de autonomia, realização pessoal e, em muitos casos, pela necessidade de complementar a renda frente ao alto custo de vida.
O estudo também revela disparidades regionais: Roraima (29,2%), Mato Grosso (29%) e Tocantins (28,1%) apresentam as maiores taxas de participação de idosos na força de trabalho. Já o Rio Grande do Norte ocupa a terceira menor posição, com 19,3%, embora tenha registrado avanço em relação a 2012, quando o índice era de 16,3%.
Segundo Janaína Feijó, pesquisadora do FGV IBRE e responsável pelo levantamento, o fenômeno está relacionado a mercados locais menos dinâmicos, à baixa escolaridade média e a um custo de vida relativamente menor, fatores que reduzem a pressão por inserção no mercado de trabalho.
“Há também uma mudança na percepção: pessoas com 60 anos chegam hoje ao mercado muito mais ativas e com desejos específicos. Para as empresas, isso pode ser positivo, porque elas trazem experiência e habilidades socioemocionais desenvolvidas”, disse a pesquisadora.
Como funciona a aposentadoria no Brasil
Tipos principais de aposentadoria
- Por idade: homens aos 65 anos e mulheres aos 62 anos (idade mínima após a reforma de 2019).
- Por tempo de contribuição: mínimo de 20 anos para mulheres e 25 anos para homens (Regras diferenciadas para professores e outras categorias).
- Por invalidez: concedida a quem fica permanentemente incapaz de trabalhar, independentemente da idade ou tempo de contribuição.
- Especial: para atividades consideradas insalubres ou perigosas, com aposentadoria mais cedo.
Cálculo do benefício
- Depende da média dos salários de contribuição ao longo da vida laboral.
- Após a reforma da previdência de 2019, o cálculo mudou, considerando 60% da média mais 2% para cada ano que exceder o tempo mínimo de contribuição.
Contribuição
- Trabalhadores formais contribuem pelo INSS com alíquotas de 7,5% a 14% sobre o salário.
- Autônomos, MEIs e outros contribuintes individuais têm regras próprias de contribuição.
Regras de transição
- Para quem já estava próximo da aposentadoria antes da reforma de 2019, há regras de transição que combinam idade mínima e tempo de contribuição.
Aposentadoria privada
- Além do INSS, existem planos de previdência privada (PGBL, VGBL) que funcionam como complemento ao benefício público.
Atualização e revisão
- Os benefícios do INSS são reajustados periodicamente, geralmente pelo índice de inflação ou pelo salário mínimo.






