Encarar temperaturas médias de -20°C, que podem até despencar a -40°C, faz parte da rotina de quem decide trabalhar na Antártida. Em contrapartida, o desafio vem acompanhado de salários a partir de £ 31.244 por ano, cerca de R$ 218 mil, contando com despesas de viagem, hospedagem e alimentação custeadas pelas instituições.
Tanto o British Antarctic Survey (BAS) quanto o United States Antarctic Program estão recrutando profissionais para a próxima temporada. E não é preciso ser cientista: há oportunidades para carpinteiros, eletricistas, médicos, encanadores, chefs e até cabeleireiros.
Vida isolada e rotina intensa
Um dos exemplos é a Estação Halley VI, administrada pelo BAS. Instalado sobre a plataforma de gelo Brunt, o centro de pesquisa monitora fenômenos atmosféricos e o buraco na camada de ozônio. Durante o verão, cerca de 40 pessoas vivem e trabalham na base. No inverno, o número cai, mas o isolamento aumenta com meses de escuridão total.
Dormitórios são compartilhados, o consumo de álcool é restrito e alimentos frescos são limitados. As equipes trabalham em escala de sete dias por semana. Segundo o BAS, cerca de 70% das vagas são operacionais, voltadas à manutenção das estruturas e ao suporte das atividades científicas.
Perfil buscado vai além da técnica
O processo seletivo inclui testes psicológicos e treinamento rigoroso. A capacidade de lidar com conflitos e a adaptação à falta de privacidade são consideradas tão importantes quanto as habilidades técnicas.
Especialistas apontam que, embora o risco físico seja elevado, o maior desafio costuma ser social: viver meses em contato constante com o mesmo grupo exige equilíbrio emocional.
Apesar das dificuldades, o trabalho oferece experiências únicas. Para muitos, a combinação de aventura, propósito científico e remuneração atrativa transforma o frio extremo em oportunidade de carreira.






