Nesta sexta-feira, o cenário das exportações sul-americanas ganhou um novo fôlego com a aprovação, por parte das nações da União Europeia, do aguardado tratado de livre comércio com o Mercosul. O pacto, que envolve Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, deve ser formalmente assinado no próximo dia 17. Contudo, para que as novas diretrizes entrem em vigor, os parlamentos de cada país envolvido ainda precisam ratificar o texto final. O agronegócio, embora tenha sido o centro de debates calorosos e protestos de produtores europeus ao longo de décadas, desponta como o setor mais impactado pela medida. As informações são do g1.
Benefícios estratégicos para o Brasil
Para o Brasil, o acordo surge em um momento crucial de reposicionamento global. Com as recentes turbulências comerciais envolvendo os Estados Unidos no último ano e barreiras impostas por China e México à carne brasileira, a Europa consolida sua posição como o segundo maior destino das nossas exportações rurais. A previsão é de que 77% dos itens agropecuários enviados ao bloco europeu tenham suas taxas de importação extintas. Produtos como frutas, pescados e óleos vegetais verão seus impostos zerados gradualmente em um intervalo de quatro a dez anos. No caso do café solúvel, a expectativa é de ganho imediato de competitividade frente a concorrentes asiáticos.
A questão das carnes e as proteções europeias
O segmento de proteínas animais exigiu negociações mais detalhadas devido à resistência de pecuaristas da França e da Polônia, que temem a eficiência dos produtores sul-americanos. O tratado estabelece cotas específicas: o Mercosul poderá enviar anualmente 99 mil toneladas de carne bovina com tarifa reduzida e 180 mil toneladas de frango com imposto zero.
Apesar do otimismo das associações brasileiras, há cautela quanto às salvaguardas internas criadas pela União Europeia. Essas normas permitem que o bloco europeu suspenda benefícios caso identifique prejuízos aos seus agricultores locais em investigações rápidas. Para especialistas, esse mecanismo pode gerar incertezas jurídicas e acelerar punições sem o tempo necessário para a defesa dos exportadores do Mercosul, exigindo atenção redobrada do governo brasileiro nas próximas etapas.






