Nos últimos anos, montadoras chinesas intensificaram sua presença na América do Sul, com empresas como BYD e GWM atingindo um grau de consolidação tão sólido que possibilitou a instalação de unidades produtivas próprias no território.
Com isso, o temor de que elas possam monopolizar o mercado, tornando-se fortes concorrentes para as empresas latinas, parece ter se instaurado entre representantes das indústrias automotivas e de autopeças.
Afinal, de acordo com informações divulgadas pelo portal Quatro Rodas, executivos brasileiros e argentinos de ambos os setores teriam aproveitardo um encontro na Automechanika Buenos Aires 2026 para firmar um novo acordo de convergência.
O compromisso tem como objetivo central consolidar o Mercosul como uma plataforma exportadora unificada e competitiva, ao mesmo tempo em que reforça a Política Automotiva Bilateral, estruturada pelo Acordo de Complementação Econômica nº 14 (ACE 14).
Para isso, o setor pretende deixar focar na gestão do intercâmbio comercial para dar início a uma atuação orientada à produção em escala. A parceria foi formalizada em uma declaração assinada por Anfavea e Sindipeças, do lado brasileiro, e Adefa e Afac, do lado argentino.
Acordo entre países conta com cinco pilares centrais
Para garantir o sucesso do novo plano, as associações envolvidas no acordo definiram cinco pilares centrais, pensados tanto para garantir a sustentabilidade local quanto facilitar o comércio. São eles:
- Proteção contra a concorrência: estabelecer estratégias para enfrentar o aumento da importatação de veículos e, assim, preservar a cadeia produtiva local;
- Integração produtiva regional: deliberar processos de investimentos equilibrados e sustentáveis para fortalecer as cadeias de valor dos dois países, evitando a concorrência interna e favorecendo a complementaridade;
- Especialização produtiva e aumento da complexidade: desenvolver tecnologias automotivas com maior valor agregado para elevar a competitividade contra produtos importados;
- Favorecer a manufatura local: não renovar incentivos de importação de veículos desmontados (kits CKD/SKD);
- Harmonização técnica: padronizar normas e ampliar o reconhecimento mútuo de regulamentos técnicos e automotivos, criando condições mais favoráveis ao comércio bilateral.






