No interior dos Andes peruanos, uma cidade inteira foi praticamente apagada do mapa em poucos minutos. Após um terremoto seguido de uma avalanche catastrófica, o que antes era uma capital regional movimentada se transformou em um campo de ruínas silencioso.
Desde então, ninguém nunca mais voltou a morar ali como antes. O lugar permanece vazio, como uma ferida aberta na história do Peru.
Cidade desapareceu do mapa após um terremoto e ninguém nunca mais voltou
O desastre aconteceu em Yungay, uma cidade localizada no norte do país, na região de Ancash. No dia 31 de maio de 1970, às 15h23, um terremoto de magnitude 7.9 sacudiu violentamente o solo andino.
O tremor foi apenas o começo. Poucos minutos depois, uma imensa porção de gelo, pedras e terra se desprendeu do Monte Huascarán, a montanha mais alta do Peru, e desceu encosta abaixo com velocidade superior a 290 km/h.
Yungay estava diretamente no caminho da avalanche. A massa destrutiva soterrou completamente a cidade, matando quase todos os seus cerca de 20 mil habitantes.
Apenas algumas centenas sobreviveram, muitos deles porque estavam em um cemitério construído sobre uma colina elevada, uma das únicas áreas que escaparam da lama e dos destroços.
Após o desastre, o governo peruano decretou que o local não poderia ser reconstruído. A área onde ficava Yungay foi transformada em cemitério nacional.
Hoje, ali se encontra o Campo Santo de Yungay, um memorial a céu aberto que conserva parte das estruturas soterradas e alguns marcos simbólicos, como palmeiras que resistiram à força da avalanche e ruínas da antiga catedral.
O lugar transmite uma atmosfera solene e é visitado por quem deseja entender a tragédia que paralisou a cidade no tempo.
Nova cidade nasceu próxima do local ao terremoto
Dois quilômetros ao norte, nasceu um novo assentamento: o atual Yungay, conhecido como Yungay Nuevo. A cidade foi erguida em uma área considerada segura, livre do risco de novas avalanches.
Nas últimas décadas, ela cresceu, ganhou infraestrutura e passou a atrair visitantes interessados tanto na história da tragédia quanto nas paisagens naturais ao redor.
Próxima ao Parque Nacional Huascarán, a região virou ponto de partida para trilhas, lagos glaciares e picos nevados.
O turismo, hoje, é o principal motor da economia local, uma nova vida que floresce ao lado da memória de uma que foi perdida para sempre.






