No memórias do diário de hoje, vamos relembrar a mudança histórica que marcou a economia brasileira nos anos 1990 e alterou profundamente a relação da população com o dinheiro. Antes da criação do real, o país enfrentava um cenário de instabilidade extrema, com preços que subiam diariamente e corroíam salários quase instantaneamente.
O país refém da inflação
No começo daquela década, a inflação brasileira atingia níveis alarmantes. O fenômeno ganhou o apelido de “dragão” e alcançou seu ponto mais crítico em 1993, quando chegou a cerca de 2.700%, de acordo com o IGP-DI, da Fundação Getulio Vargas. A volatilidade dos preços era tamanha que supermercados precisavam remarcar valores várias vezes ao dia, prática que se tornou símbolo daquele período.
Antes do real, o governo havia lançado uma série de planos econômicos que fracassaram em conter a escalada inflacionária. Entre as gestões de José Sarney e Fernando Collor, as medidas se basearam, em grande parte, no congelamento de preços e salários, estratégia que acabou agravando a crise, gerando desabastecimento, desemprego e perda de confiança da população.
A hiperinflação e a virada dos anos 1990
Os dados históricos mostram que a inflação descontrolada começou a ganhar força ainda nos anos 1950, mas foi entre o fim da década de 1980 e o início dos anos 1990 que o problema se tornou crônico. Entre 1987 e 1993, o índice superou 1.000% em cinco ocasiões. Após o impeachment de Collor, Itamar Franco assumiu a Presidência em meio a um cenário econômico frágil e sucessivas trocas no comando da Fazenda.
Como nasceu o Plano Real
O real passou a circular oficialmente em 1º de julho de 1994, tornando-se a décima moeda da história brasileira. O plano, idealizado ainda em 1993 sob a liderança do então ministro Fernando Henrique Cardoso, foi estruturado em etapas. A primeira envolveu o ajuste das contas públicas e uma nova troca monetária, com o lançamento do cruzeiro real.
Na sequência, foi criada a Unidade Real de Valor (URV), um mecanismo temporário que serviu como referência estável de preços. Embora a população continuasse pagando em cruzeiros reais, os valores eram fixados em URV, o que ajudou a quebrar a lógica de reajustes automáticos e trouxe previsibilidade à economia.
Resultados e legado
Com a consolidação do real, já sob a gestão do ministro Rubens Ricupero, o governo adotou juros elevados e controle cambial para segurar a inflação. Apesar das críticas e dos impactos sobre a indústria, o plano conseguiu estabilizar os preços. Nos anos seguintes, a inflação passou a operar em patamares bem mais baixos, e, a partir de 1999, o regime de metas inflacionárias consolidou o real como símbolo de uma nova fase da economia brasileira.






