Pesquisadores da University of California (UCR), nos Estados Unidos, deram início a uma estratégia de vigilância para impedir que a mosca-da-bicheira americana volte a se estabelecer no estado. A iniciativa busca identificar precocemente a presença do inseto, responsável por danos severos à pecuária em décadas passadas, antes que uma nova infestação ganhe escala.
Entenda o risco da espécie invasora
A chamada mosca-da-bicheira americana corresponde à fase larval da varejeira metálica Cochliomyia hominivorax. Diferentemente de outras moscas, suas larvas se alimentam de tecido vivo e são depositadas em feridas abertas de animais e, em casos raros, de humanos. Esse comportamento já motivou grandes campanhas de erradicação no século passado.
De acordo com a professora assistente de entomologia Amy Murillo, da UCR, não é motivo para pânico generalizado. Ela ressalta que a maioria das varejeiras não oferece risco, mas destaca que essa espécie específica não é desejada no país devido ao seu potencial destrutivo.
Investimento e monitoramento antecipado
O governo da Califórnia destinou cerca de 507 mil dólares ao projeto. Os recursos serão usados na instalação de armadilhas com um atrativo desenvolvido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que simula o odor de carne em decomposição. Os insetos capturados passarão por análises para verificar se pertencem à espécie invasora.
Embora a mosca ainda não tenha sido detectada em território californiano, pesquisadores alertam que ela já foi identificada a cerca de 110 quilômetros da fronteira do Texas, o que reforça a necessidade de vigilância constante.
Impacto econômico e atenção ao campo
Especialistas lembram que o maior risco está nos rebanhos. Ferimentos comuns em fazendas, como cortes provocados por cercas, facilitam a infestação. A universidade destaca que, apesar da imagem ligada a frutas como citros e abacates, a base da economia agrícola do estado está nos laticínios.
Informação como aliada da prevenção
Além do monitoramento, a UCR vai promover ações educativas voltadas a veterinários, pecuaristas e técnicos. A ideia é garantir que sinais iniciais sejam reconhecidos rapidamente. Segundo os pesquisadores, a vigilância deve ser reforçada sem alarmismo. Caso um foco seja identificado, a técnica do inseto estéril, já utilizada com sucesso no passado, segue como a principal ferramenta de controle.






