Pela primeira vez, astrônomos conseguiram captar e converter em som o instante em que um buraco negro foi lançado pelo espaço após se fundir com outro. Esse registro inédito foi obtido por meio do estudo das ondas gravitacionais — pequenas distorções no tecido do espaço-tempo — detectadas durante um evento ocorrido há 2,4 bilhões de anos, denominado GW190412.
O estudo, publicado na revista Nature Astronomy, analisou dados obtidos pelos observatórios LIGO (EUA), Virgo (Itália) e KAGRA (Japão). O evento envolveu dois buracos negros de massas bastante diferentes: um com aproximadamente 30 vezes a massa do Sol e outro com pouco mais de 8. Essa diferença de tamanho resultou em uma fusão assimétrica, que não distribuiu a energia de maneira uniforme.
O resultado foi um “recuo natal” — um impulso cósmico que lançou o buraco negro recém-formado a mais de 50 quilômetros por segundo (aproximadamente 180 mil km/h). Segundo os cientistas, essa velocidade é suficiente para expulsar o objeto até mesmo de aglomerados estelares.
Além da magnitude do fenômeno, os cientistas ressaltam a inovação do método. Pela primeira vez, tornou-se possível não apenas medir a velocidade, mas também determinar a direção do movimento de um buraco negro após a fusão. Esse avanço oferece novas perspectivas para compreender os ambientes em que buracos negros se formam.
O que é um buraco negro?
Um buraco negro é uma região do espaço onde a força da gravidade é tão intensa que nada, nem mesmo a luz, consegue escapar dela. Isso acontece quando uma grande quantidade de massa está concentrada em um espaço muito pequeno, causando um colapso gravitacional.
Os buracos negros se formam geralmente após a morte de estrelas muito massivas, que, ao esgotarem seu combustível, colapsam sob sua própria gravidade. No centro do buraco negro está o que se chama de “singularidade”, onde a densidade é infinita, e ao seu redor fica o “horizonte de eventos”, que é a fronteira além da qual nada pode retornar.
Tipos de buracos negros
- Buracos negros estelares – Formam-se a partir do colapso de estrelas muito massivas, com cerca de 3 a 20 vezes a massa do Sol. São os mais comuns e têm massa relativamente pequena, mas ainda assim milhares de vezes maior que a da Terra.
- Buracos negros supermassivos – Encontrados no centro da maioria das galáxias, incluindo a Via Láctea. Têm massas que vão de milhões a bilhões de vezes a massa do Sol. Acredita-se que sejam responsáveis pela dinâmica das galáxias.
- Buracos negros de massa intermediária – São buracos negros com massa entre as estelares e supermassivos, mas ainda pouco observados e estudados.
- Buracos negros primordiais (hipotéticos) – Supostamente formados logo após o Big Bang, com massas variadas, mas ainda não comprovados pela ciência.






