Um novo levantamento sobre o trabalho doméstico acendeu alerta para milhões de brasileiras que atuam na área. Dados divulgados em Brasília mostram que, apesar do crescimento da ocupação no setor, a informalidade e os baixos salários continuam sendo uma realidade predominante para a categoria.
O estudo aponta que o trabalho doméstico segue como uma das principais fontes de renda para mulheres no Brasil, especialmente entre as mais vulneráveis. Mesmo após avanços legais, como a regulamentação de direitos trabalhistas, grande parte das profissionais ainda atua sem carteira assinada, o que limita o acesso a benefícios básicos e aumenta a insegurança financeira.
Além disso, o cenário revela desigualdades estruturais profundas, com forte presença de mulheres negras na categoria e rendimentos frequentemente abaixo da média de outros setores. A combinação de baixa formalização e salários reduzidos reforça a dificuldade de ascensão social e mantém o trabalho doméstico como uma atividade marcada pela precarização.
Mesmo com o aumento no número de vagas, especialistas alertam que o crescimento não necessariamente representa melhoria nas condições de trabalho. Pelo contrário, o avanço da informalidade pode indicar uma expansão de empregos sem proteção legal, o que preocupa autoridades e entidades que acompanham o setor.
Crescimento do setor não resolve problemas históricos
Apesar de ainda ser uma das principais alternativas de emprego feminino, o trabalho doméstico no Brasil continua enfrentando desafios históricos ligados à valorização profissional e à garantia de direitos. A formalização ainda é baixa, e muitas trabalhadoras seguem sem acesso a benefícios como FGTS, aposentadoria e seguro-desemprego.
O cenário reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes para ampliar a proteção dessas profissionais. Sem mudanças estruturais, o crescimento do setor tende a manter o mesmo padrão de desigualdade, com muitas brasileiras trabalhando mais, mas ainda ganhando pouco e sem segurança no futuro.






