Gramado, na Serra Gaúcha (RS), tradicional destino turístico no Brasil, passou a enfrentar um fenômeno incomum para uma cidade de seu porte: o custo de vida local em 2025 superou o de várias capitais brasileiras em determinados aspectos — especialmente no mercado imobiliário.
Uma pesquisa recente mostrou que o preço médio do metro quadrado de imóveis em Gramado ficou em torno de R$ 18.914, valor superior ao registrado em capitais como Florianópolis (R$ 16.943), Porto Alegre (R$ 14.344) e Curitiba (R$ 13.664) no mesmo período.
O resultado reflete a valorização acelerada do mercado imobiliário local, que tem atraído investidores interessados em residências de alto padrão e imóveis de luxo. Em Gramado, cerca de 80% dos imóveis ofertados têm valores entre R$ 700 mil e R$ 2 milhões, e unidades de superluxo chegam a custar mais de R$ 7 milhões.
Esse cenário tem impacto direto no dia a dia dos moradores: custos com aluguel e compra de imóvel pesam mais no orçamento do que em muitas capitais. Embora outros itens do custo de vida, como alimentação e transporte, possam ser mais próximos da média brasileira, o peso do setor imobiliário elevou o custo total de viver ali.
Especialistas apontam que essa realidade transforma Gramado em um caso atípico no interior do país, em que o padrão de valorização ultrapassa o observado em grandes centros urbanos. Para moradores e potenciais novos residentes, a cidade encarece a vida de maneira comparável a capitais populosas, exigindo maior renda ou planejamento financeiro cuidadoso.
Turismo impulsiona economia e pressiona o custo de vida
O turismo é um dos principais motores da economia de Gramado e ajuda a explicar a elevação contínua dos preços na cidade. Ao longo do ano, o município recebe milhões de visitantes atraídos por eventos como o Natal Luz, o Festival de Cinema e a alta temporada de inverno, o que mantém hotéis, restaurantes e atrações em constante demanda.
Essa movimentação intensa aquece o comércio local e valoriza serviços, mas também encarece produtos básicos e a moradia. Com o fluxo permanente de turistas e investidores, muitos imóveis acabam sendo destinados a locações de curta temporada ou ao uso eventual, reduzindo a oferta para moradores fixos.






