O governo federal avalia mudanças no modelo de funcionamento dos Correios, incluindo a revisão da obrigação de operações em todos os municípios brasileiros.
A proposta faz parte de um plano para garantir a sustentabilidade financeira da estatal ao longo prazo e deve ser encaminhada ao Congresso Nacional ainda neste ano.
Universalização sob revisão
Atualmente, os Correios são obrigados por lei a operar em todo o território nacional. Técnicos do governo estimam que esse modelo de universalização custa cerca de R$ 6 bilhões por ano.
Desse total, apenas R$ 1,9 bilhão é compensado por benefícios fiscais, deixando um déficit anual de aproximadamente R$ 4 bilhões.
A avaliação interna é de que, sem uma fonte externa de financiamento ou uma mudança nas regras, a estatal continuará em déficit.
Entre as opções analisadas está a criação de um fundo semelhante ao Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), que seria abastecido por contribuições de empresas privadas do setor. Outra possibilidade seria o ressarcimento direto via Orçamento da União, condicionado ao cumprimento de metas.
Mesmo que nenhuma solução seja adotada imediatamente, interlocutores do governo avaliam que algum encaminhamento deve ocorrer a partir de 2026.
Crise financeira e reestruturação
Em 2025, a estatal registrou um déficit primário de R$ 1,047 bilhão e prejuízo contábil de R$ 6,056 bilhões no acumulado até setembro do ano passado. Para fechar as contas, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões, mas ainda precisa levantar cerca de R$ 8 bilhões adicionais.
Como parte do plano de reestruturação, a empresa iniciou a venda de imóveis próprios em todo o país. Os primeiros leilões estão marcados para fevereiro, com expectativa de arrecadar até R$ 1,5 bilhão até o fim do ano.
Segundo especialistas, não há “solução rápida” para os Correios e a reestruturação deve seguir um processo gradual.






