Nos últimos meses, a discussão sobre o fim da escala 6×1 — regime em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho e tem apenas um dia de descanso — ganhou força no Brasil e virou tema central no Congresso Nacional. A medida, que visa reduzir a jornada de trabalho semanal e ampliar os períodos de folga, ainda não foi aprovada formalmente, mas tem sido debatida em propostas legislativas.
Enquanto isso, empresas e trabalhadores começam a experimentar formatos alternativos e ajustes práticos na rotina laboral. Um dos modelos que tem sido adotado como piloto em algumas empresas é a escala 5×2, que prevê cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de descanso, em vez do padrão atual de seis dias trabalhados.
Essa redistribuição exige que a jornada diária seja estendida — em muitos casos para cerca de 8 horas e 48 minutos por dia — a fim de manter a carga semanal de 44 horas permitida pela legislação vigente, sem redução salarial.
A transição para a escala 5×2 tem tido recepção mista entre trabalhadores e empregadores. Para muitos profissionais, um dia extra de folga semanal pode significar mais tempo com a família e melhor qualidade de vida, reduzindo o desgaste físico e emocional associado à rotina de trabalho intenso.
Enquanto o debate continua no Legislativo — com a Proposta de Emenda à Constituição ainda aguardando análise e possíveis votações que podem mudar profundamente o padrão de trabalho no país — a implementação prática de escalas como a 5×2 já reflete uma mudança de postura em algumas empresas e abre caminho para ajustes mais amplos no mercado.
Grupo Supernosso inicia teste com nova escala a partir de março
O Grupo Supernosso dará início, a partir de março, à implementação da escala 5×2 em três de suas unidades, marcando um movimento pioneiro no setor supermercadista. A iniciativa prevê cinco dias consecutivos de trabalho seguidos por dois de folga, substituindo o tradicional modelo 6×1 adotado amplamente no comércio brasileiro.
Segundo a empresa, a mudança será feita de forma gradual e monitorada, com avaliação de impactos na produtividade, no atendimento ao cliente e na satisfação dos colaboradores. A experiência servirá como base para possível ampliação do modelo para outras unidades, caso os resultados sejam considerados positivos tanto para a operação quanto para os funcionários.






