O Oceano Pacífico voltou a chamar a atenção dos cientistas após novos dados indicarem a formação de um possível super El Niño. Informações divulgadas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e pelo observatório climático Copernicus apontam que o fenômeno pode se tornar um dos mais intensos já registrados em mais de 100 anos.
As projeções indicam que determinadas áreas estratégicas do oceano poderão atingir temperaturas até 3°C acima da média até o fim deste ano. Caso o cenário se confirme, o episódio poderá alcançar níveis semelhantes — ou até superiores — aos registrados em 1877 e 2015, períodos marcados por eventos climáticos extremos em diversas partes do planeta.
O receio dos pesquisadores aumenta porque os oceanos já enfrentam uma fase de aquecimento fora do comum. Relatórios recentes do Copernicus mostram que a temperatura da superfície dos mares, excluindo as regiões polares, ficou em abril muito próxima do recorde absoluto observado em 2024.
Segundo Samantha Burgess, estrategista climática do ECMWF, a tendência é que novos recordes sejam registrados nos próximos meses, elevando ainda mais as preocupações sobre o comportamento climático global.
Os efeitos de um super El Niño podem atingir diretamente milhões de pessoas ao redor do mundo. Mudanças bruscas no regime de chuvas, aumento de secas prolongadas, enchentes severas e ondas de calor mais intensas estão entre os principais impactos esperados. Países da América do Sul, Ásia e América do Norte costumam sofrer fortemente com as alterações provocadas pelo fenômeno.
O que pode acontecer com o planeta?
Uma gigantesca onda de calor marinha já avança do Pacífico Equatorial em direção às costas dos Estados Unidos e do México, criando um ambiente favorável para intensificar ainda mais os efeitos do El Niño. Para os climatologistas, o aquecimento anormal das águas fortalece alterações nos ventos e nas correntes atmosféricas, aumentando a frequência de eventos climáticos extremos em diferentes continentes.
Na prática, isso significa períodos de seca severa em algumas regiões e chuvas destrutivas em outras. Países como Indonésia costumam enfrentar falta de chuva e incêndios florestais durante episódios fortes de El Niño, enquanto locais como o Peru registram enchentes e deslizamentos causados pelas tempestades intensas.






