Parazinho, no Rio Grande do Norte, é um pequeno município com cerca de 5 mil habitantes, o equivalente à população de poucos quarteirões em São Paulo. Até 2010, figurava entre as cidades mais pobres do estado. No entanto, em pouco tempo, sua realidade econômica mudou completamente: de uma das últimas posições, Parazinho passou a liderar o ranking do PIB per capita potiguar.
A transformação econômica foi impulsionada pela força dos ventos. Hoje, o município ocupa o topo do ranking nacional em potência instalada de energia eólica em operação. Já sua vizinha João Câmara, com cerca de 35 mil habitantes, se destaca por abrigar o maior número de parques eólicos do Brasil, segundo dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne).
Os ventos intensos que predominam na região, localizada a menos de 90 quilômetros de Natal, chamaram a atenção de grandes empresas do setor, como Energisa, Desa e Enel Green Power. O Rio Grande do Norte — especialmente essa área — se destacou entre os estados mais contempladas nos leilões de energia eólica realizados em 2009 e 2010.
Com a chegada desses investimentos, Parazinho se tornou um símbolo da transição energética no Nordeste. As torres eólicas, antes vistas apenas como novidade, passaram a fazer parte da paisagem e da rotina dos moradores. A geração de empregos diretos e indiretos durante a construção e manutenção dos parques trouxe renda e movimentou o comércio local.
Hoje, a cidade colhe os frutos dessa revolução verde. A arrecadação municipal cresceu consideravelmente, permitindo novos investimentos em saúde, educação e mobilidade. Além disso, o custo da energia elétrica na região é um dos mais baixos do país, resultado da abundância dos ventos e da eficiência dos parques instalados.






