O parasitismo de cria é um comportamento curioso entre as aves, em que certas espécies garantem a sobrevivência de seus filhotes ao colocar ovos em ninhos de outras, fazendo com que cuidem de uma prole que não é sua. Essa estratégia se baseia nos instintos dos “pais adotivos” e envolve táticas que vão do mimetismo a atitudes mais agressivas.
Um exemplo conhecido é o da viúva-azul, comum na África. Essa ave da família Viduidae usa o mimetismo ao colocar ovos em ninhos de tentilhões estrildídeos, dificultando que os hospedeiros percebam a troca. Após nascer, os filhotes imitam sons e comportamentos dos donos do ninho, garantindo que sejam aceitos e alimentados.
Outro exemplo clássico é o do cuco-comum, encontrado na Europa, Ásia e África. Essa espécie coloca seus ovos nos ninhos de diferentes aves de pequeno porte, como pintassilgos e chapins. O cuco é conhecido por abandonar o ovo no ninho do hospedeiro e, muitas vezes, remover um dos ovos originais, aumentando as chances de seu filhote ser alimentado exclusivamente pelos pais adotivos.
No continente americano, o galo-do-mato parasita ninhos de espécies menores de pássaros. Ele se aproveita do cuidado parental desses pássaros para garantir que seus filhotes cresçam sem a necessidade de construir um ninho próprio ou de alimentar a prole.
Já a viúva-de-faces-negras, outra ave africana, adota estratégia semelhante à viúva-azul, mas frequentemente utiliza ninhos de várias espécies ao mesmo tempo, aumentando a probabilidade de sobrevivência de seus filhotes.
O cuco-barrado, típico da América do Norte, também pratica o parasitismo de cria. Seus filhotes se desenvolvem mais rápido que os dos hospedeiros e, em alguns casos, empurram os ovos ou filhotes originais para fora do ninho, eliminando a concorrência.






