O avanço da erosão costeira tem transformado a paisagem do litoral brasileiro e acendido um alerta para autoridades e especialistas. Estudos recentes mostram que cerca de 15% das praias do país já desapareceram parcial ou totalmente, resultado da combinação entre fatores naturais e impactos da ação humana.
Um dos casos mais emblemáticos é o de Atafona, no litoral norte do Rio de Janeiro. A localidade já viu o mar engolir ruas inteiras, quarteirões e dezenas de construções, tornando-se um símbolo da vulnerabilidade do litoral brasileiro. O avanço da erosão foi tão grave que a ONU incluiu Atafona entre as 31 áreas do mundo mais ameaçadas pela elevação do nível do mar.
O problema, porém, não se restringe a casos isolados. Pesquisas científicas apontam que, nas últimas três décadas, o Brasil perdeu aproximadamente 15% de sua faixa litorânea de areia — o equivalente a 15 metros a menos a cada 100 de praia.
As áreas mais impactadas estão nos litorais Norte, Nordeste e Sudeste, onde comunidades locais já enfrentam grandes desafios para conter o avanço do mar. Além dos prejuízos ambientais, a erosão costeira também traz sérias consequências sociais e econômicas.
Comunidades que dependem do turismo veem a perda de faixas de areia reduzir a atração de visitantes, comprometendo a renda de moradores e pequenos negócios. Em algumas regiões, famílias precisam abandonar suas casas diante do risco de desabamento, enquanto gestores públicos buscam alternativas emergenciais, como muros de contenção e obras de engenharia costeira.
Especialistas alertam que, sem políticas consistentes de adaptação e mitigação, o cenário tende a se agravar nos próximos anos. A combinação entre o aumento do nível do mar, mudanças climáticas e ocupação desordenada do litoral pode acelerar ainda mais a perda de praias e impactar ecossistemas marinhos inteiros, tornando urgente a criação de estratégias nacionais para proteger as zonas costeiras brasileiras.






