Entre janeiro e setembro deste ano, a Americanas encerrou as atividades de 112 lojas no país — sendo 51 unidades convencionais e 61 no formato express. Segundo a companhia, a decisão faz parte de um processo de enxugamento da operação, já que esses pontos não atendiam aos critérios mínimos de viabilidade econômica. No total, o movimento resultou em uma redução de 6,4% na área de vendas.
Somente no terceiro trimestre, outras 55 lojas foram fechadas, incluindo 33 tradicionais e 22 express. A empresa afirma que os encerramentos integram uma estratégia de revisão do portfólio, voltada para otimizar a eficiência operacional. Além disso, a Americanas vem reduzindo ou reorganizando espaços com baixa ocupação para fortalecer as vendas e diminuir custos.
Entre julho e setembro, o lucro líquido da Americanas despencou 96,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 367 milhões. No canal digital, o volume bruto de mercadorias (GMV) alcançou R$ 167 milhões, uma queda de 74,6% em relação ao ano passado. Por outro lado, as vendas nas lojas físicas se mantiveram estáveis, somando R$ 3,4 bilhões no trimestre.
No relatório divulgado, a empresa descreve o período como o encerramento de sua fase de reestruturação interna e o início de um novo ciclo focado no fortalecimento operacional do varejo. A companhia destaca avanços em negociações com fornecedores, aprimoramentos no programa de fidelidade “Cliente A” e maior agilidade na oferta de serviços financeiros.
Relembre o rombo financeiro da Americanas
O escândalo financeiro envolvendo a Americanas veio à tona no início de 2023, quando a empresa revelou inconsistências contábeis que ultrapassavam R$ 20 bilhões — valor que depois seria revisado para mais de R$ 40 bilhões. O caso chocou o mercado, derrubou as ações da varejista e desencadeou uma das maiores crises corporativas da história do país.
A descoberta das irregularidades levou à renúncia de executivos, abertura de investigações e a um longo processo de recuperação judicial. A crise expôs práticas contábeis consideradas inadequadas, relacionadas principalmente a operações de risco sacado, antecipações de recebíveis e registros financeiros que inflavam artificialmente os resultados.






