A empresária Anita Harley, herdeira e uma das maiores acionistas da tradicional rede de varejo Pernambucanas, está no centro de uma complexa disputa judicial em torno de sua fortuna estimada em cerca de R$ 2 bilhões.
Anita se encontra em estado de coma desde 2016, após sofrer um acidente vascular cerebral, e desde então não tem condições de gerir seus próprios bens ou tomar decisões sobre sua vida pessoal ou profissional. Essa condição levou a Justiça a bloquear parte de seu patrimônio enquanto os tribunais avaliam quem tem direito à herança e à curatela.
A batalha judicial envolve principalmente duas mulheres que alegam ter mantido uma relação próxima ou afetiva com Anita por décadas. Sônia Soares, conhecida como Suzuki, entrou com ação reconhecida pela Justiça como união estável após afirmar ter vivido com Anita por cerca de 36 anos.

Enquanto Cristine Rodrigues, que foi assessora de Anita e possui procuração atribuída desde 1999, contesta essa versão e luta por direitos semelhantes. A situação se complicou ainda mais com a participação de Artur Miceli, filho de Sônia, que obteve reconhecimento judicial como filho socioafetivo de Anita, o que reforça seu direito à herança da empresária.
Os bens sob disputa não se limitam apenas ao valor financeiro líquido. Além da participação majoritária de Anita nas Pernambucanas — controladora de grande parte do império varejista —, há também imóveis valiosos, como uma mansão com 96 cômodos e 37 banheiros no bairro da Aclimação, em São Paulo, avaliada em cerca de R$ 50 milhões, que foi doada a Sônia antes do AVC de Anita.
O caso ganhou ainda mais visibilidade com a estreia do documentário “O Testamento — O Segredo de Anita Harley”, lançado no streaming Globoplay, que busca reconstruir a trajetória da empresária e os bastidores dessa disputa, com entrevistas de envolvidos e narrativas conflitantes. A produção evidencia como laços afetivos, documentos legais e decisões judiciais.






