O climatologista Carlos Nobre afirmou, na última terça-feira (18), que a degradação da Amazônia pode provocar até duas pandemias em dez anos. Durante coletiva na COP30, em Belém (PA), ele também alertou que a floresta pode perder até 70% de sua cobertura caso o aquecimento global ultrapasse 2 °C.
Na ocasião, foram apresentados os bases científicas que sustentam o apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por um plano global capaz de frear o desmatamento e reverter a destruição das florestas até 2030. A iniciativa retoma compromissos discutidos na COP28, em Dubai, embora ainda existam incertezas sobre como esse plano será colocado em prática.
Cientista faz alerta
“Estamos diante de uma emergência. A temperatura global está prestes a ultrapassar 1,5 °C e, se alcançar 2 °C, a Amazônia não poderá ser preservada”, alertou. Segundo Carlos Nobre, eventos climáticos extremos já causam mais de 150 mil mortes por ano no mundo. “Ondas de calor, secas severas, incêndios e chuvas intensas estão se multiplicando em escala global”, acrescentou.
Nobre ressaltou que a Amazônia está perigosamente próxima de atingir um ponto de não retorno e destacou que as consequências irão muito além dos limites da própria floresta: “A degradação florestal pode liberar mais de 250 bilhões de toneladas de carbono e criar condições propícias para epidemias e pandemias em larga escala”.
Riscos para o Brasil e impactos diretos na saúde pública
Os alertas de Carlos Nobre não se limitam às projeções globais: segundo ele, estados da região Norte já enfrentam condições ambientais que favorecem o surgimento de novos vírus e o fortalecimento de doenças tropicais.
O desmatamento desorganiza ecossistemas inteiros, aproximando animais silvestres das áreas urbanas e aumentando o contato entre populações humanas e agentes patogênicos antes restritos à floresta. Esse cenário, reforça o climatologista, cria um ambiente perfeito para o aparecimento e a disseminação rápida de novas enfermidades.






