Na última quarta-feira (3), a União Europeia decidiu eliminar gradualmente as importações de gás russo até o final de 2027. A medida faz parte do esforço do bloco para reduzir a dependência energética da Rússia, embora alguns países contrários já tenham começado a levantar questionamentos legais.
O acordo foi alcançado entre representantes dos governos da UE e do Parlamento Europeu, com base nas propostas apresentadas pela Comissão Europeia em junho. Conforme o entendimento, a União Europeia encerrará de forma definitiva a importação de gás russo e avançará na redução gradual das importações de petróleo proveniente do país.
As importações de gás natural liquefeito devem ser interrompidas até o final de 2026, enquanto o fornecimento por gasoduto será encerrado até setembro de 2027. A Hungria anunciou que recorrerá ao Tribunal de Justiça da União Europeia, alegando que a medida teria sido apresentada como política comercial para contornar a exigência de votação unânime para a aplicação de sanções.
A Eslováquia também estuda medidas legais contra a decisão da UE, já que tanto ela quanto a Hungria continuam altamente dependentes do gás e do petróleo russos. Ambos os países temem que a adoção de fontes alternativas mais caras possa impactar negativamente suas economias.
O Kremlin, por sua vez, criticou a decisão da União Europeia, alegando que o bloco se tornaria menos competitivo e que os consumidores enfrentariam preços mais elevados. Em outubro, a Rússia correspondia a 12% das importações de gás da UE, com Hungria, França e Bélgica entre os países ainda recebendo suprimentos. Antes da invasão da Ucrânia, em 2022, esse percentual chegava a 45%.
UE avança na independência energética, mas enfrenta resistência
A decisão da União Europeia de eliminar gradualmente as importações de gás russo marca um passo significativo rumo à redução da dependência energética da Rússia. O bloqueio progressivo do gás por gasoduto e do gás natural liquefeito até 2027 demonstra o compromisso do bloco em diversificar suas fontes de energia e fortalecer a segurança energética europeia.
No entanto, a medida enfrenta resistência interna e externa. Hungria e Eslováquia já sinalizaram recursos legais, preocupadas com os impactos econômicos de alternativas mais caras, enquanto o Kremlin critica a decisão, alertando para aumento de custos e perda de competitividade. O cenário evidencia o equilíbrio delicado entre política, economia e geopolítica na transição energética da Europa.






