A procura por energia limpa com as chamadas ‘terras raras’ ganhou mais um capítulo nesta semana. E ele tem como cenário a cidade de Poços de Caldas, localizada no sudoeste do estado de Minas Gerais. Tudo graças a existência de uma cratera de vulcão extinto que pode suprir cerca de 20% da demanda global por estes minérios.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o governo dos Estados Unidos já demonstrou interesse em firmar acordos para adquirir esses minérios mesmo com as recentes tensões comerciais com o Brasil. Empresas nacionais e estrangeiras tem realizado uma verdadeira corrida pela exploração de terras raras.

Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), já foram concedidas 1.882 autorizações para pesquisa desses minerais no Brasil. Em Minas Gerais, são 361 pedidos, com cerca de 33% concentrado apenas na região de Poços de Caldas. Em sua maioria, as solicitações foram feitas em 2023 e 2024 por empresas brasileiras e estrangeiras.
O que são as chamadas ‘terras raras’?
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos que fazem parte da tabela periódica. Apesar do nome, não são exatamente raras, mas encontrá-las em concentração suficiente para exploração econômica é um verdadeiro desafio.
Alguns dos elementos, casos do neodímio e praseodímio, são essenciais para a produção de ímãs super magnéticos que são usados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, entre outros equipamentos de alta tecnologia.
Região pode gerar 300 milhões de toneladas de terras raras
Com cerca de 800 km², a cratera de Poços de Caldas pode gerar 300 milhões de toneladas de terras raras. O número abundante foi apontado pelo geólogo Álvaro Fochi, responsável por encontrar a jazida no início dos anos 2010. Duas empresas de mineração australianas já se adiantam e devem começar a extrair terras raras na região entre 2026 e 2027.
Dados do Ministério de Minas e Energia (MME) apontam que o Brasil possui a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, com 21 milhões de toneladas. Além de Minas Gerais, o país tem mapeado áreas na Bahia, Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo e Roraima.
O interesse por terras raras e minerais estratégicos integra a política global do ex-presidente Donald Trump, que buscou pressionar outros países a assegurar o fornecimento desses recursos aos Estados Unidos. Nos anos 1990, os norte-americanos perderam o a liderança de exploração de terras raras para a China, que atualmente domina a exploração destes minérios.






