Durante a 98ª cerimônia do Oscar, a atriz Alice Carvalho, que que interpretou uma das personagens centrais do filme O Agente Secreto, cruzou o tapete vermelho com uma bolsa assinada pelo artista e designer catarinense Jay Boggo que chamou bastante atenção.
Feito em parceria com o estúdio Future Factory, de Marcelo Pasqua, o adereço traz o rosto de uma mulher em dourado na parte da frente, que lhe concede um visual singular. Mas vale destacar que este não foi o único detalhe surpreendente da bolsa.
Afinal, estima-se que seu seu custo total seja de R$ 7,1 mil, sendo este um valor praticamente inacessível para uma parcela expressiva da população brasileira, já que de acordo com dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), milhões de pessoas recebem até um salário mínimo por mês.
Apesar de ter sido elevado pelo mais recente Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) e considerado o primeiro aumento real acima da inflação em anos, o montante atual, fixado em R$ 1.621, equivale a cerca de 22% do custo da bolsa utilizada por Alice.
Vale destacar ainda que, segundo especialistas, o valor mínimo necessário para viver com dignidade no Brasil gira em torno de R$ 7 mil. Dessa forma, a bolsa desenvolvida por Jay Boggo corresponde justamente a esse patamar considerado essencial.
Aumentos futuros do salário mínimo passam longe de valor de bolsa
Embora o valor do salário mínimo esteja previsto para seguir aumentando ao longo dos próximos anos para garantir a reposição do poder de compra dos trabalhadores frente à inflação e, se possível, buscar ganho real, ele ainda continuará muito distante dos R$ 7,1 mil cobrados pela bolsa de Jay Boggo.
Vale lembrar que o governo federal já estabeleceu algumas projeções para o salário mínimo nos próximos anos, com base na atual política de valorização. No entanto, os valores previstos variam entre R$ 1.724 e R$ 1.925, não equivalendo nem mesmo à metade do custo do adereço.






