Em meio ao debate crescente no Brasil sobre o fim da escala 6×1, o Senado da Argentina aprovou, na madrugada desta quinta-feira (12), um polêmico projeto de reforma trabalhista proposto pelo presidente Javier Milei. A medida foi aprovada por 42 votos a 30, após mais de 13 horas de discussão, e agora segue para análise da Câmara dos Deputados.
Trata-se de uma das primeiras grandes vitórias legislativas do governo argentino, que defende uma agenda econômica mais liberal. A proposta é apresentada pelo governo como uma “modernização” das leis trabalhistas do país, com foco na flexibilização das regras e no estímulo ao mercado.
O texto altera pontos considerados históricos na legislação argentina e faz parte de um pacote mais amplo de reformas defendidas por Milei desde o início de seu mandato. Entre as principais mudanças estão a facilitação de contratações e demissões, a redução das indenizações por desligamento sem justa causa e novas limitações ao direito de greve.
Um dos trechos que mais gerou controvérsia permite a ampliação da jornada de trabalho padrão, que atualmente é de oito horas diárias, para até 12 horas por dia, dependendo do acordo estabelecido. O governo de Javier Milei sustenta que a legislação trabalhista anterior estava “ultrapassada” e afirma que a reforma poderá estimular a entrada de investimentos.
A decisão contrasta com o cenário brasileiro, onde cresce o movimento pelo fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter apenas um de descanso. Por aqui, sindicatos e parte da sociedade defendem jornadas mais equilibradas e maior qualidade de vida, enquanto na Argentina o governo avança em direção oposta, ampliando a carga horária permitida por lei.
Reforma do governo divide opiniões e gera debates
A proposta tem provocado forte polarização na Argentina, com apoio de setores empresariais que defendem maior flexibilidade nas relações de trabalho e críticas de sindicatos e centrais trabalhistas. Para os apoiadores, a medida pode dinamizar a economia e ampliar oportunidades formais. Já para os opositores, há risco de precarização das condições de trabalho e enfraquecimento de direitos históricos.
O debate também chama atenção em outros países da América Latina, inclusive no Brasil, onde a discussão caminha em sentido diferente, com foco na redução da jornada e na busca por melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal. O contraste entre as propostas evidencia modelos distintos de política trabalhista em meio a desafios econômicos semelhantes.






