O fim do New START, último tratado de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia, amplia a instabilidade global e aumenta a imprevisibilidade nas relações entre as duas potências. A avaliação é do professor Augusto Teixeira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em entrevista ao programa WW, da CNN Brasil.
Para o especialista, o encerramento do acordo amplia as incertezas globais e eleva os riscos à segurança internacional. Segundo Teixeira, os efeitos do fim do tratado vão além da interrupção de um mecanismo formal de controle de armamentos.
Na avaliação do professor, o ponto mais preocupante é o enfraquecimento gradual da ordem internacional, que por décadas estabeleceu regras básicas para a convivência entre os Estados. Esse cenário, afirma, favorece o retorno da lógica das esferas de influência e torna o uso da força um instrumento cada vez menos custoso para que alguns atores imponham seus interesses no sistema internacional.
Nesse contexto, Teixeira avalia que o tema das armas nucleares se torna ainda mais delicado. Para o professor, a expansão ou a naturalização do uso coercitivo desse tipo de armamento, sobretudo em conflitos regionais, configura um risco real.
Ele cita a guerra da Rússia contra a Ucrânia como exemplo, destacando que a retórica sobre o arsenal nuclear passou a integrar o cálculo estratégico, banalizando um tema antes tratado com extrema cautela. O especialista acrescenta que a ausência de um acordo como o New START aumenta o risco de erros de cálculo entre potências nucleares.
Enfraquecimento da ordem global acende alerta internacional
Para Augusto Teixeira, o fim do New START não é um fato isolado, mas parte do desgaste das regras que estruturaram o sistema internacional nas últimas décadas. Segundo ele, a falta de mecanismos de contenção entre grandes potências torna o cenário mais instável e reduz o espaço para a diplomacia.
Esse cenário, alerta o professor, aumenta a probabilidade de conflitos e amplia o risco de novas guerras, inclusive em escala regional. Sem tratados que limitem arsenais e reduzam desconfianças, decisões estratégicas passam a ser tomadas com base em pressões imediatas, o que eleva a chance de erros e de escaladas difíceis de controlar.






