A política brasileira é marcada por debates intensos e polarização crescente, e esse cenário também se reflete no jornalismo. Mas como se posicionam os próprios profissionais da área? Um levantamento recente revela as inclinações ideológicas dos jornalistas brasileiros, mostrando se a preferência majoritária tende para a esquerda ou para a direita.
Segundo dados coletados pela Rede de Estudos Trabalho e Identidade dos Jornalistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a grande maioria (81%) dos jornalistas que participaram da pesquisa declarou-se alinhada à esquerda (52,8%) ou à centro-esquerda (29%). Em contraste, apenas 4% afirmaram ter inclinação mais à direita, sendo 1,4% de direita e 2,5% de centro-direita.
Até mesmo os jornalistas que se identificam com a extrema-esquerda (2%) superam em número aqueles que se dizem de direita. Uma possível explicação para a predominância de profissionais de esquerda nas redações está relacionada à formação acadêmica. Nos Estados Unidos, por exemplo, as universidades tendem a ter uma inclinação política voltada para a esquerda.
Em 2017, a Young America’s Foundation apontou que, para cada palestrante conservador, havia 11 representantes do lado oposto do espectro político. Em universidades de maior prestígio, como Princeton, a proporção chegava a 30 docentes democratas para cada republicano.
No Brasil, a situação parece seguir um padrão semelhante. A formação acadêmica em comunicação e jornalismo, geralmente marcada por abordagens críticas e progressistas, contribui para que muitos profissionais desenvolvam uma visão política alinhada à esquerda. Além disso, a própria cultura das redações, com debates internos e troca de ideias entre colegas, reforça essas inclinações.






