Nos últimos anos, a disparidade entre a renda dos trabalhadores informais e aqueles contratados pelo regime CLT tem ganhado destaque no cenário econômico brasileiro. Enquanto a carteira assinada garante estabilidade, direitos trabalhistas e benefícios, o trabalho informal tem atraído cada vez mais pessoas pela possibilidade de ganhos imediatos e, em alguns casos, superiores aos dos empregos formais.
Segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a renda média dos trabalhadores autônomos cresceu 5,6% no segundo trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Entre os informais, o avanço foi ainda mais expressivo, alcançando 6,8%. Em contrapartida, o aumento para os empregados com carteira assinada ficou limitado a 2,3%.
A renda média dos trabalhadores sem carteira atingiu o patamar mais alto desde 2012, ano em que começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, utilizada como base no levantamento.
Conforme destaca o autor do estudo, Sandro Sacchet de Carvalho, embora os empregados com carteira assinada ainda apresentem rendimentos superiores aos informais, essa distância vem se reduzindo. No segundo trimestre de 2025, a renda média dos trabalhadores com carteira assinada foi de R$ 3.171, enquanto os autônomos registraram R$ 2.955 e os informais receberam, em média, R$ 2.213.
Novas formas de trabalho surgiram no país
O pesquisador do Ipea observa que houve uma melhora na renda de informais e autônomos nos últimos anos, mas considera cedo afirmar que se trata de uma tendência consolidada do mercado de trabalho.
Segundo ele, após a pandemia de Covid-19, novas modalidades de ocupação, como os serviços oferecidos por meio de plataformas digitais — a exemplo de Uber e iFood —, se expandiram e contribuíram para esse movimento. Ele acrescenta que o regime especial do Microempreendedor Individual (MEI) também exerce influência nesse cenário, por oferecer contribuição reduzida e acesso à cobertura previdenciária.






