A divulgação das notas do Enem 2025 provocou surpresa e indignação entre milhares de candidatos, especialmente aqueles que anteriormente obtinham altos desempenhos na redação.
Muitos estudantes relataram quedas bruscas nas notas, muitas vezes superiores a 150 pontos, levantando suspeitas sobre mudanças não informadas nos critérios de correção. O Inep negou qualquer alteração, mas documentos e depoimentos de corretores indicam um cenário contrário.
Em entrevista para o g1, Vinícius de Oliveira, estudante de Medicina que faz o Enem todos os anos, relatou que saiu de notas acima de 900 na redação para 760 em 2025. Para ele, o resultado pode ser consequência de avaliações mais rígidas.
Critérios mais subjetivos e punições maiores
De acordo com a matéria do g1, uma das principais diferenças identificadas está na competência 4, que avalia o uso de elementos coesivos. A correção passou a adotar classificações subjetivas, como uso de “pontual” ou “expressivo”, dando maior margem à interpretação individual dos corretores.
Outra mudança ocorreu na competência 5, referente à proposta de intervenção. Embora a perda de pontos por ausência de elementos já existisse, uma orientação adicional determinou punição maior, de 120 pontos, quando o aluno deixasse de apresentar o item “ação”.
A investigação também aponta ampliação indireta do peso do repertório sociocultural. Segundo corretores ouvidos, um documento enviado após os treinamentos orientou que repertórios considerados fracos fossem penalizados em duas competências, e não apenas em uma. Esse fator foi decisivo para a queda das notas.
Impacto no acesso às universidades
O peso das notas baixas neste ano ganhou ainda mais relevância porque, pela primeira vez, o Sisu passou a aceitar notas das três últimas edições do Enem. Para especialistas, comparar candidatos avaliados sob critérios diferentes compromete a regularidade do processo.
Corretores sobrecarregados
O cenário é agravado pelas condições de trabalho dos corretores, que recebem cerca de R$ 3 por redação e chegam a corrigir até 200 textos por dia. Ruídos de comunicação e orientações divergentes durante o treinamento também foram relatados, levantando dúvidas sobre a padronização da correção.
Procurado pelo g1, o Inep manteve a posição de que não houve mudanças nos critérios e não respondeu sobre remuneração e carga de trabalho dos avaliadores.






