Waldemar, Sebastião, Valdecir, Clóvis, Tertuliano. Para quem viveu sua infância ou juventude até os anos 1970, esses nomes eram parte natural do cotidiano. Já para quem nasceu depois dos anos 1990, soa quase improvável imaginar uma criança recebendo um desses registros. A sensação de desaparecimento não é impressão: ela é confirmada pelos números.
Do auge nos cartórios ao quase apagamento
Dados do IBGE mostram uma reviravolta marcante no perfil dos nomes masculinos no Brasil. Entre as décadas de 1940 e 1970, nomes como Expedito, Geraldo, Waldomiro, Osvaldo, Alcides e Odair figuravam entre os mais populares do país, chegando a ocupar posições de destaque nos cartórios. Eram escolhas associadas a tradição, religiosidade e às heranças culturais trazidas por imigrantes europeus.
Hoje, o cenário é completamente distinto. Em 2023, Miguel, João, Gabriel, Arthur e Heitor lideraram com folga os registros de nascimento, enquanto nomes como Arlindo e Eurico aparecem de forma quase simbólica, com números tão baixos que, em muitos municípios, passam anos sem um único registro.
Mudanças culturais ditam o ritmo
O fenômeno não se explica apenas pela moda. As escolhas de nomes acompanham transformações sociais. Prefixos como “Val-” e “Wal-” e terminações como “-aldo”, “-ino” e “-ir” eram marcantes em famílias influenciadas por referências germânicas e ibéricas, valorizando significados ligados a força, coragem e honra.
As gerações atuais, por outro lado, têm buscado nomes curtos, internacionais e de fácil pronúncia, influenciados por celebridades, personagens de séries e uma tendência global de simplificação. A estética sonora passou a importar mais do que a ancestralidade.
Vão voltar um dia?
O mais curioso é que muitos desses nomes considerados “antigos” carregam significados nobres e histórias ricas, mas se tornaram sinônimo de “nome de velho”, um estigma que parece difícil de quebrar. No Brasil, onde costumes mudam rapidamente, o que já foi símbolo de prestígio hoje luta para não desaparecer de vez.
Resta saber se, como tantas modas que retornam, esses nomes também encontrarão um caminho de volta às certidões no futuro.






